Coisas cada dona de casa deve saber

Violação

2020.08.05 20:44 Next-Jackfruit-1918 Violação

Eu tenho 16 anos, fui pela primeira vez a sério ao ginecologista porque comecei a namorar, queria saber se estava tudo bem, tirar algumas dúvidas, pedir a pílula, coisas normais que se deve fazer. Eu queria escolher a ginecologista onde ia mas a minha mãe obrigou me a ir ao ginecologista dela, disse me sempre que ele era um excelente médico, que foi o médico que a acompanhou quando ela estava grávida de mim e quando eu nasci. Por isso não tive opção, tive de ir ao médico dela, fui a uma primeira consulta e já não me senti bem, não gostei dos olhares, não gostei de ser um médico homem, não gostei da forma que me examinou.....contei isso a minha mãe ela disse que eu estava a fazer filmes para chamar a atenção, e para poder escolher eu a médica que quisesse, não me deixou trocar e não fez nada...uma semana depois o médico ligou a minha mãe, disse que se esqueceu de fazer um exame importante, que eu tinha de la voltar, a minha mãe obrigou me a ir. Desta vez a consulta era no consultório dele, não era no hospital, quando eu cheguei ao consultório já achei tudo muito estranho, não estava lá mais ninguém, nem rececionista, nem pacientes, ninguém...quando entrei para a consulta, ele nem falou comigo, mandou me tirar a roupa toda e deitar na marquesa com as pernas nos suportes, fiquei aflita, não me sentia bem com isto, mas tive de o fazer, quando acabei de me deitar, apareceu um outro médico, tentei tapar me o máximo que consegui mas ele veio em direção a mim e amarrou as minhas mãos e colocou me um pano na boca, e o outro amarrou me os pés, o médico da minha mãe virou se para o outro e disse: “Vês! Eu disse te que está valia a pena! Está ainda está apertadinha”. Não consegui fazer nada, não me conseguia mexer, não conseguia gritar, eles violaram me, por quase uma hora...tiraram me o que eu tinha de mais valioso, a minha virgindade, a minha inocência...a vez violavam me tanto na minha vagina como na parte de trás, quando acabaram disseram me que se eu abrisse a boca ninguém ia acreditar, que eu era uma miúda e eles médicos conceituados, não havia testemunhas, e que a minha mãe o conhecia bem, que ela nunca ia acreditar na minha história, e que ainda por cima como a minha mão não ia acreditar ele continuaria a ser meu médico é que me ia violar as vezes que tivesse vontade, e que tinha muitos mais amigos com vontade de me conhecer. Ele tinha razão, ela já não tinha acreditado antes, não ia acreditar daquela vez, eu vesti-me sai de lá a correr e fiquei calada, não contei nada, tudo isto aconteceu ha 6 meses. 2 meses depois de tudo acontecer, eu descobri que estava grávida, nesse momento eu tinha de contar a verdade, a minha mãe não acreditou em mim, chamou me de vagabunda, puta, oferecida, e ainda foi falar com o meu namorado que também não acreditou em mim, e que acabou tudo comigo, chamou me de puta, traidora, porca, disse que foi bem feita por ir para a cama com outros enquanto não era capaz de ir para a cama com ele, a minha mãe não disse nada ao médico, e expulsou me de casa, no dia que me atirou tudo porta fora disse que se eu era crescida o bastante para abrir as pernas e deixar fazerem me filhos, então também era crescida o bastante para me virar sozinha. Que ela na cria uma prostituta em casa. Tentei ir a polícia, mas quando a polícia falou com a minha mãe ela disse lhes que era um disparate, que ela conhecia o médico há anos, que eu estava a inventar a história porque tinha traído o meu namorado e me tinha corrido mal, a única coisa que a polícia me disse foi que era muito feio mentir e fazê-los perder tempo, mas que desta vez não me acontecia nada. Nunca acreditaram em mim nem por um segundo, tentei que fizessem testes de adn, riram se na minha cara e disseram-me que se eu continuasse a insistir na história, ia presa por difamação,perturbação e falso testemunho. Não tive outra opção senão desistir. Tive de abandonar a escola, consegui um trabalho que mesmo em meio da pandemia consegui manter, faço entregas de uma mercearia. Não é fácil, não só porque não é o que sonhei para mim, mas também porque toda a gente me olha como se eu fosse uma prostituta. A dona da mercearia a muito custo me arranjou um lugar para ficar, vivo na garagem da mercearia, não tem luz, e água só do lado de fora, mas pelo menos tenho um teto coisa que não tive durante 2 meses. Ganho muito pouco e com um bebé a crescer na minha barriga e sem estudos mais ninguém me dá trabalho. Junto cada cêntimo para comprar o que posso para o meu bebé. Toda a minha família, as pessoas que se diziam minha amigas, toda a gente me abandonou, quando alguma delas me vê na rua, ri-se de mim, comenta para o lado e muda de lado da rua. Eu nunca menti, aqueles canalhas violaram me e engravidaram me, e não lhes vai acontecer nada, e o pior é que eu tenho a certeza que já o fizeram antes e que o vão continuar a fazer, mais e mais mulheres/jovens/crianças vão ser violadas por eles e provavelmente vai continuar a não acontecer lhes nada, enquanto eles vivem felizes as vidas miseráveis deles, eu vivo numa garagem sem luz, com água só do lado de fora, a ter de fazer as necessidades num balde, porque só ganho 250€ por mês e não tenho dinheiro para ir para outro lugar, mal tenho dinheiro para comer, e pouco que tenho uso para comprar tudo o que meu bebé vai precisar, sofro porque não sei como vai ser quando ele nascer, não sei se vou conseguir pagar o parto, não sei se mo vão tirar por falta de condições, não sei se me vão meter numa instituição porque vão perceber que não tenho ninguém, não sei se vou ter vida daqui a 16 semanas quando o meu bebé nascer. Eu suporto tudo o que for preciso, mas se me tiram o meu filho, se me tiram o meu bebé eu não aguento, se mo tiram a minha vida deixa de fazer sentido, se afastarem o meu bebé de mim eu vou vingar me dos filhos da puta dos médicos e a seguir eu mato me. Eu não vivo neste mundo nem o meu bebé.
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2020.07.12 00:12 britojp ODEIO MEU PAI E NÃO VEJO A HORA DE ME SEPARAR DELE

ESSA HISTÓRIA É BEM LONGA, SALVE E SE NÃO PUDER TERMINAR, TERMINA DPS, TALVEZ VOCÊ SE INTERESSE. (OU NÃO)
Meu pai é um desgraçado, mexe com meu psicológico desde que eu nasci, queria ter nascido sem pai. Atenção: Tenho 14 anos.
Meu pai desde que eu era pequeno me bate, me maltrata e faz eu me sentir um lixo, além de já ter tentado bater na minha mãe, traiu minha mãe com 11 BISCATES, e quando ela vai sair ele segue ela. Todo dia ele me xinga, quando eu era pequeno ele me bateu na cara com fio de extensão elétrica, infelizmente as fotos ficaram no celular antigo da minha mãe que estava velho e eu não tenho mais as fotos. Uma vez eu estava vendo a Branca de Neve, porque quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, minha tia tinha uma amiga que vendia dvd's, e minha tia me comprou vários. Aí quando eu estava vendo um, depois de já ter assistido vários, minha mãe perguntou se ela podia ver a novela dela (com educação lógico), e eu não me importei já que eu tinha visto um monte e precisava de uma pausa, mas antes de eu responder, ele disse pra ela: "Deixa o menino ver." Meio grosso, minha mãe só respondeu pra ele (não lembro o que ela disse, mas ela não foi grossa ou mal educada em nenhum momento) e ele começou a brigar com ela, e a briga foi até a porta da cozinha, na frente do meu quarto, e lá, ele empurrou ela e ela escorregou e caiu, e meu pai não fez nada, ficou lá parado, e eu chorando, queria muito ir ajudar ela a se levantar mas o medo não deixou. Depois, com 9 anos, eu lembrei ela disso e meu pai escutou, falou que me mandaria pro hospital se eu falasse naquilo de novo. Antes disso quando eu tinha 7 anos, ele traiu minha mãe, e eu fui testemunha, meu pai estava no quarto deitado e minha mãe estava colocando as roupas no varal, e eu estava ajudando ela, quando a gente vê uma mulher chamando: "Fontini, Fontini!" No portão. (Fontini é meu sobrenome e do meu pai, e todos chamam ele assim) Minha mãe foi atender a mulher comigo também, depois minha mãe tirou satisfação com meu pai e depois descobrimos que ela estava traindo minha mãe com ela, e vários anos depois (agora) ele já traiu minha mãe com a dona do bar que ele vai, com umas mulheres que ele já fez móveis, e minha mãe achou uma foto com ele agarrado com a mãe da minha melhor amiga no celular dele, na véspera do natal que ele tava na casa dela, depois eu mandei pra minha melhor amiga e ela também ficou chocada. Meus pais não são casados no papel, só decidiram que iam se casar, mas não foram no cartório assinar o casamento, e nem fizeram uma festa, só decidiram se casar, e um ano depois deles terem se conhecido, tiveram eu. Em Janeiro se separaram, e no celular dele na verdade minha mãe pediu (sem me obrigar) pra mim tentar conseguir provas com traições dele, achei conversas com a Dona do bar, e outras que eu nunca achei que ele escreveria aquilo. Isso esse ano, porque com 9 anos meu pai começou a pegar o celular da minha mãe pra ver se né, sendo que ela nunca fez isso. Agora minha mãe tá com o namorado dela, mas só começou a namorar com ele quando ela falou pra ele que queria um divórcio, o que prova que ela nunca traiu ele, e eu sou testemunha de tudo. Agora mudando de assunto, tudo ele joga na minha cara, que ele paga meu curso, que comprou celular, computador e tv. Tô de saco cheio disso até hj, tanto que não quero mais nada que venha dele, celular minha mãe comprou outro, e claro sou grato a ela, o computador, não aguentei e vendi, pra não escutar merda dele, e vou pegar o dinheiro e comprar um notebook. Só não vendo a TV pq eu uso. Já minha mãe nunca falou nada e nunca jogou na minha cara, prefiro mil vezes ela do que ele. E ele vai receber o auxílio emergencial, e ele pediu meu cpf pra fazer, e minha mãe perguntou se ele ia receber e ele disse que não, se ele disse que não é pq ele tem certeza, sendo que eu vi aprovado no app, ou seja, ele vai receber 1200 já que ele colocou pai solteiro, com as 5 parcelas dá 6000 reais, fez o cadastro pedindo o meu CPF, e não quer me dar nem 100 reais, já que tenho que ficar fazendo favores pra ele quase todo dia, minha tia disse pra minha mãe que eu tava triste por causa disso, e sem eu saber minha mãe falou com o meu pai, que me acordou dizendo que ia me dar sim, e pediu pra mim acessar pra ele, sendo que ele tá me enrolando faz dois dias só pra não dar um centavo pra alguém que ele maltratou por 13 anos, e usou o meu CPF pra pegar. OUTRAS COISAS: Minha mãe já saiu e ele seguiu ela e xingou ela como se tivesse obrigação de seguir ela, xinga ela e eu, fica no bar até de madrugada comendo as biscate e não deixa minha mãe sair um minuto. Ele já chamou minha vó de puta, e disse que minha tia e minha vó, que moram na casa do lado da nossa, deveriam morar na rua ou na cadeia. Tô cansado dele, e só não saiu daqui ainda depois que eles separaram porque ainda não tem dinheiro pra alugar um lugar, mas eu não aguento maia ele e minha mãe também não, quando eles discutem nem eu nem minha cachorrinha gostamos de ficar perto, minha cachorra que é também é minha irmã, odeia ouvir eles brigando e sai chorando pra casa da minha tia, ou pro guarda roupa do meu quarto, e quando ela não pode ir pra essas lugares eu coloco ela na minha cama e abraço ela, e uma vez eu tava indo pra lá e ele me obrigou a ficar lá onde eu tava, minha mãe reclamou com ele e eu fui, além dele ser insuportável e ter me deixado com depressão dois anos atrás. Ah, e em maio, eu acordei, e fui desbloquear meu celular, quando eu digito a senha errada sem querer, o celular faz eu esperar 30 segundos, sendo que isso só acontece quando erra 5 vezes, então achei que alguém poderia ter mexido, Depois, a noite, eu instalei um app que tira fotos da pessoa assim que ela erra sua senha (o app chama Intruder Selfie Alert), e no dia seguinte, quando eu acordei e peguei meu telefone vi duas fotos do meu pai mexendo no meu telefone, querendo ver e talvez apagar as provas já que minha mãe falou que tinha tudo guardado num pen drive. Mas ele deve ter tentado ver se tinha no meu telefone. Mas de tudo, o que eu mais fiquei mal foi ele me chamar de hacker, uma vez minha mãe chegou dps de 2 horas que ela saiu, e eu fui lá atrás dela, só tava com meu telefone e carregador na mão normal, indo lá, aí eu dou UMA MÍSERA OLHADA PRA TRÁS, que não foi de propósito, tipo coisa do cérebro de olhar prós lugares, e ele logo achou que eu tava olhando pra ele, uma olhada de 0,1 segundos, e disse: "VEM AQUI PEDRO!! DEIXA EU VER ESSE TELEFONE!" (Meu nome é João Pedro, mas pro meu amigo e minha família é só Pedro) e eu falei que eu não fiz nada e ele falou que eu tava mexendo nas coisas dele, ficou falando que eu hackeei senha dele pq minha mãe pegou as conversas, sim, eu ajudei minha mãe pra pegar as conversas de traições, mas isso colocando a senha que ele fez na minha frente, nunca fiz e nem sei fazer essas coisas, e ficou falando que eu era hacker, só por causa de uma olhada, e outra vez também, ficou falando que eu fazia essas coisas. E eu odiei, porque mesmo eu me interessando MUITO, D+ por tecnologia desde que eu tinha 9 anos, eu não sei programação, e mesmo se soubesse eu nunca faria essas coisas, se eu quiser dinheiro vou ganhar do meu suor, e se Deus quiser não quero viver com nada que venha dele, e já me planejo agora pro futuro, porque quando eu atingir maioridade, não quero mais ver ele, vou trabalhar, pagar minha faculdade (ou uma parte, mas só se minha mãe se oferecer pra isso), e talvez alugar uma casa e dividir com a minha melhor amiga, e já falei pra ela que aí cada um paga metade do aluguel, até lá já vou arrumando meu dinheiro, ainda não posso trabalhar né, mas eu dou um jeito. FOI GRANDE, MAS É ASSIM MESMO. ESPERO QUE TENHAM GOSTADO.
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2020.02.15 02:28 carretinha O padre e A Baronesa

Em uma aldeia havia um padre conhecido pela sua piedade com os monstros. Possuídos de todos os lugares viajavam até a pequena aldeia para serem curados de seus demônios. O padre atendia em uma pequena igreja, sem bancos, feita de madeira, pintada de branco, que era quente demais no verão e fria demais no inverno. A simplicidade das instalações não incomodava aquele sujeito humilde, porém a Baronesa se contorcia de ver um servo de Deus trabalhar num lugar tão mal cuidado. Claro, isso não seria um problema se Ela não tivesse que ‘visitá-lo’ toda dia de missa.
A Baronesa, dona daquelas terras e outras na região, tentava emplacar seus novos produtos no mercado. Máquinas como o mundo nunca tinha visto, criaturas metálicas espertas, programadas para todo tipo de tarefas: limpeza, construção, cuidado com as crianças, vigilância dos escravos, mordomos e tudo mais que o cliente pudesse imaginar. Mas o povo, pobre de conhecimento e ainda mais pobre de dinheiro, olhava para as máquinas com desconfiança, viam em seus olhos amarelos e iluminados motivações ocultas e sombrias. A Baronesa, sabia o que o povo pensava de suas construções e se surpreenderia se fosse diferente.
“Esses ignorantes e imbecis, não compreendem os avanços da tecnologia! Mas de que adianta? Ainda que entendessem, nada poderiam fazer! Essa gentalha não consegue manter uma moeda no bolso. Oh, imagine! Nem que juntassem todos os pobretões de todas as aldeias da região, não conseguiram comprar um peça das minhas maravilhosas máquinas.”
O que a surpreendia era a reação dos seus pares, os sofisticados baroneses, duques e nobres, que rejeitavam com igual força suas ideias sobre a modernidade.
“Minha querida Baronesa, a senhora possui tantas terras boas, devia focar em cultivá-las ao invés de construir essas criaturas de metal.”
Para impressionar a nobreza, encontrar possíveis compradores ou pelo menos alguém que a apoiasse, a Baronesa gastava partes enormes da sua interminável fortuna com festas e mais festas. Onde as máquinas serviam, cozinhavam, faziam segurança e entretinham os convidados, sem parar, sem reclamar e sem se cansar.
No entanto os barões, duques e nobres não pareciam impressionados e tratavam com profunda indiferença as maravilhas da tecnologia. Num mundo iluminado por velas, onde moinhos de água tinham acabado de ser inventados, tais criaturas metálicas pareciam apenas uma alegoria festiva, um enfeite, algo que está ali por estar e ao mesmo tempo não existe, uma mistura estranha entre personagens bizarros de circo e mendigos de rua.
Foi durante uma missa, num dia extraordinariamente quente, agravado pelas instalações da igreja; no meio da aglomeração do povo, que se agregava mais próximo do altar para acompanhar mais um exorcismo e cura de um monstro; onde a nossa querida Baronesa se sentia absolutamente desconfortável; que Ela teve a ideia de que
“Se meus pares fecham os olhos para as modernidades, a igreja há de abri-los.”
Foi assim que irrompeu um grito pedindo atenção. O povo, até então atento a cura, voltou-se para Ela. Até o monstro sobre o altar se virou. O único que não se mexeu foi o padre, pois aquele era o momento mais crucial do exorcismo, se ele saísse do transe a alma daquela pessoa poderia se perder para sempre.
“Senhoras e senhores, desculpe-me interromper o espetáculo que é a cura divina! Todavia preciso anunciar para todos vocês, que depois de tantos anos que passamos neste lugar caindo aos pedaços, finalmente teremos uma nova igreja! A doação, claro, será feita do meu próprio bolso e construída com minhas próprias máquinas, de modo que todos só tem a ganhar.”
O povo que desconfiava no começo da fala, sorriu ao ouvir ‘do meu próprio bolso’. Mas logo fechou a cara novamente, ao ouvir ‘com minhas próprias máquinas’. Afinal, se não fossem por essas malditas criaturas de metal, os pedreiros teriam algum trabalho e receberiam o suficiente pra gastar no bar, no verdureiro e na peixaria; que faria com que a dona do bar, a moça das verduras e os pescadores tivessem mais dinheiro pra gastar no padeiro, no alfaiate e no ferreiro; e assim, sucessivamente. De modo que o pouco dinheiro pago aos pedreiros passasse pela mão de todos na aldeia, em seguida na mão de todos das aldeias vizinhas, até enfim ser pego por cobradores de impostos e finalmente se perder dentro do cofre de algum nobre.
Apesar da decepção, o ânimo geral foi positivo. Afinal uma igreja nova ainda era melhor que nada. E embora duvidassem das intenções da Baronesa e de suas criações, jamais duvidariam de sua Fé, que alegavam ser a maior entre todo povo comum. Boatos passados de boca em boca diziam até que Ela era capaz de realizar milagres, mas claro que não passavam de boatos.
Entretanto por mais fervorosa que fosse a Baronesa, a ponto de sair da sua confortável mansão no topo do Monte; descer a pé todo o morro; atravessar o rio; subir a colina onde estava a igreja; e fazer o caminho de volta todas as vezes que ia à missa, Ela ainda questionava certas ações do padre. A Baronesa, assim como todos ‘cidadãos de bem’, defendia que os monstros não deveriam ser curados, muito pelo contrário, deveriam ser caçados e mortos pelos crimes que cometeram contra Deus, pois ‘os crimes contra Deus’ eram a única explicação para tem se transformado. Isso se não tiverem matado gado, ou estripado alguém depois que assumiram a sua forma monstruosa.
Após o anúncio ninguém mais assistia o exorcismo e para o padre isso não fazia diferença, na verdade era até melhor. Não gostava de fazer os exorcismos em cima do altar ou em público, se o fazia daquela forma era por dois motivos: O primeiro, era literalmente por pressão popular, porque uma vez o povo quase quebrou a porta dos fundos da igreja enquanto tentavam espiar um ritual. E o segundo, porque aquela era uma boa forma de divulgar seu trabalho e atrair aqueles que precisam de cura. Portanto apenas um exorcismo era feito em público e só no final da missa, se ainda houvesse outros possuídos a serem curados eles seriam atendidos na parte de trás da igreja, quase em segredo.
Só depois que o demônio foi expurgado e finalmente o monstro pode olhar no espelho e ver a pessoa que era, que o padre abandonou o transe e a concentração no trabalho. E não demorou muito a saber da novidade através dos cochichos e conversas que corriam por toda assembléia:
“Onde ficará a nova igreja?”
“Será que vão derrubar essa daqui?”
“Tomara que tenha uma torre do sino!”
“Espero que não seja em cima do morro.”
“Ia ser lindo se fosse em cima do rio!”
Assim que pescou informação o suficiente sobre a construção da nova igreja, foi imediatamente contra. Jamais um único fiel deveria ser responsável pelo dinheiro e construção do templo, porque
“Um templo, assim como a Fé, deve ser uma construção conjunta. Feita pela dedicação e amor das pessoas e não por ganhos materiais ou glória pessoal. O marceneiro deveria trabalhar a madeira que o lenhador cortou e doou, para que os ajudantes usem os pregos que sobraram da construção de suas casas, para pregar juntas as tábuas. Todos trabalhando juntos, sem ninguém cobrar a ninguém, cada um fazendo e doando de acordo com o que pode e tem!”
“É assim que deveria ser construído um templo! E foi assim que foi feita essa capela.”
Esperou a multidão se dispersar e foi conversar com a Baronesa, que por sua vez estava ansiosa para contar os detalhes da obra.
“Eu agradeço sua oferta minha querida, mas um templo assim como a Fé deve ser uma constr...”
“Desculpe senhor padre, porém acredito que alguém mais competente deveria tomar a decisão. Passados mais alguns anos ou uma praga de cupins e esse lugar vem abaixo! Além disso o povo clama por um lugar mais confortável! Já lhe aviso: se o senhor insistir em recusar minha proposta, enviarei a oferta ao bispo.”
“QUE ENVIE ENTÃO! Mas saiba que nunca estarei de acordo com um templo feito tão mundanamente!”
Foi uma discussão acalorada, contudo não foi nem a primeira, nem a mais tensa delas. O padre e a Baronesa tiveram várias discussões em torno da Fé, da organização da aldeia, das leis e de outros vários assuntos. Mantinham ao mesmo tempo um profundo respeito e um certo desafeto um pelo outro, mas nunca rancor.
O padre achava que as ideias da Baronesa eram afastadas demais da comunidade e pouco preocupadas com a benevolência, apesar de estarem de acordo com as palavras de Deus. Para a Baronesa, as ideias do padre eram sempre ideológicas demais e pouco práticas, apesar de estarem de acordo com as palavras de Deus. E como era a concordância com as palavras de Deus que decidia quais eram as melhores ideias, eles não tinham critério de desempate. Costumeiramente, o padre ganhava as discussões, por ter uma posição mais próxima de Deus, mas as coisas costumavam ser feitas ao modo da Baronesa, por ter uma posição mais próxima do Governador.
No fim, o projeto foi enviado ao bispo que o aceitou imediatamente, formando uma comissão de bispos para abençoar o local da nova igreja e os objetos santos.
A planta da igreja, também incluía uma área no subsolo que seria a nova casa do padre. Ele, até então, morava num pequeno quartinho de teto baixo, na parte de trás da capela, dormia num colchão fino colocado sobre o chão, que fora presente do pescador. O cômodo também possuía ainda um fogão a lenha, montado pelo ferreiro. O banco e a mesinha onde o padre realizava seus estudos, ambos bambos, eram peças defeituosas doadas pelo marceneiro e um pouco mais afastado havia uma fossa com cabine, feitas pelo próprio padre, onde ele fazia suas necessidades.
A Baronesa foi rápida para mostrar serviço, e assim que abençoaram o local as máquinas deram início a construção. Os bispos ficaram encantados com a forma que aquelas criaturinhas de metal trabalhavam, tão encantados que se sentaram num ‘acampamento de obras’, montado pela Baronesa, para assistir a construção. Quando anoiteceu, a casa do padre já tinha o piso e todas as paredes. Logo antes de se retirarem para dormir os bispos perguntaram a Baronesa:
“Suas construções não vão descansar?”
“Ah, senhor bispo, não se preocupe, elas não precisam disso, podem trabalhar por dias seguidos. Inclusive, garanto aos senhores que a igreja estará de pé e decorada antes do dia de missa.”
Os bispos se surpreenderam com a promessa. Uma igreja como aquela demoraria ao menos três meses para ser construída por mãos humanas, se essas fossem mãos de pedreiros experientes talvez dois e meio. Porque a Baronesa falou muito bem delas, os bispos esperavam que as máquinas fizessem em um mês, tanto que a maioria deles tinha planejado ir embora no dia seguinte, menos o bispo responsável pela região que faria a primeira missa e o batismo da igreja. Contudo já que a Baronesa prometeu uma entrega tão rápida, todos resolveram esperar para realizar uma grande missa de batismo.
***
As máquinas trabalharam durante toda a noite. Elas têm a forma que melhor condiz com o seu trabalho. Sim, porque diferente das obras feitas por pedreiros, onde cada um faz um pouco de tudo, as máquinas possuem uma função específica, então necessitam de um corpo específico. Enquanto uma passa o cimento, a outra coloca os tijolos; uma ajuda a secar o cimento e, ao mesmo tempo, outra passa a massa onde o cimento já secou; uma é responsável por ajudar a secar a massa e a outra por pintar onde a massa já secou; algumas ajudam a levantar aquelas que trabalham em andares mais altos; sem falar na batedora de pregos, nas carregadoras, nas colocadoras de móveis e decoração, etc. Tudo isso é perfeitamente sincronizado, para que não se pinte onde a massa está molhada; não se pise onde o piso ainda não assentou; ou para não secar o cimento antes de colocar os tijolos.
Todavia diferente de um relógio, que para funcionar depende de todas suas engrenagens perfeitamente encaixadas, nos lugares e tempos específicos, tais criaturas trabalham de modo tão sincronizado porque se comunicam. Sim, e se comunicam de uma forma parecida, mas ao mesmo tempo muito diferente daquela dos humanos. Sua precisa e avançada ‘fala’ é composta por vários sons de *beep*, e cada máquina tem um *beep* de tom e altura diferentes. Durante a execução de uma tarefa elas ‘falam’ de forma incessante, para alertar umas às outras de suas ações, logo todas precisam conhecer a ‘voz’ uma das outras, a fim de ter uma noção sobre ‘o que ocorre onde’ na execução da tarefa.
Contudo não só na linguagem elas lembram os humanos, elas pensam, tem sentimentos, personalidades, gostam de certas máquinas e desgostam de outras. Apesar de serem fisicamente iguais e pintadas do mesmo jeito, o colocador de tijolos 36579 é alegre e festivo, enquanto o 85479 é introspectivo e silencioso, isso fica evidente em seus movimentos e também no tom e frequência de seus *beeps*. Um humano até poderia perceber isso, se pudesse observá-los atentamente durante dias, no entanto para as máquinas a diferença de personalidade entre eles é gritante. Claro, a personalidade deles pode até fazer com que ajam de forma diferente, mas de modo algum isso afeta seu trabalho, pois apesar de mover o braço um pouco mais e se agitar de vez em quando, o 36579 precisou colocar os tijolos da mesma forma e ao mesmo tempo que o 85479, para que as paredes ficassem prontas juntas.
Um humano provavelmente se sentiria desconfortável de ter que trabalhar de forma tão mecânica, sem poder imprimir sua personalidade, sua ‘marca’ no trabalho. Só que essa é a beleza para as máquinas, elas adoram ser todas diferentes e ainda assim trabalhar de jeito igual. O sincronismo as deixam felizes. Trabalhar para elas não é muito diferente de uma dança, uma dança num mundo onde todos são exímios dançarinos.
E naquele dia participaram de seu grande baile, que se estendeu por toda noite, quando tiveram de cochichar, mantendo seus *beeps* baixinhos para não acordar as pessoas humanas. Com a chegada da manhã seguinte, dançaram novamente sob o dia, cantando *beeps* mais altos, porque os humanos faziam muito barulho. E dançaram, trabalham, cantaram e cochicharam durante os dias que vieram, até que…
***
Na manhã do ‘dia “antes do dia de missa”’ a igreja estava pronta. Era grande, definitivamente maior que a velha capela. Ainda não chegava aos pés de uma catedral, porém tinha os tijolos mais bem colocados, as paredes mais bem niveladas, os únicos bancos posicionados com precisão milimétrica e um altar perfeitamente arrumado, com os todos utensílios alinhados, prontos para o início da missa.
As máquinas, orgulhosas do seu trabalho, se retiraram e aguardaram, ao lado da igreja, o despertar da Baronesa. Dispuseram-se em fileiras organizadas por função e aproveitaram o tempo de espera para conversar. Demoraram apenas 12 segundos para discutir profundamente sobre os mais variados assuntos, a comunicação delas era realmente muito eficaz. Nesse pequeno intervalo de tempo conversaram sobre: como os humanos eram estranhos, como gostaram de finalmente fazer um trabalho fora da mansão, teorizaram sobre os pássaros que cantavam na manhã, flertaram, fizeram novas amizades, planos para os próximos trabalhos, etc. Depois ficaram paradas. As mais afobadas tremiam de levinho, ansiosas para que sua Mestra dessem-lhes mais ordens, afinal gostavam muito de trabalhar.
A aldeia inteira, e boa parte das vizinhas, estava presente para a missa, que foi coordenada sobretudo pelo bispo regional, contando com as participações pontuais e diversas bênçãos dos bispos das outras regiões. Finalmente, depois de anos à frente do altar, o padre podia assistir uma missa como simples fiel e isso trazia-o boas lembranças.
Ao final da missa, e antes de conhecer sua nova casa, o padre perguntou a Baronesa se Ela havia construído um lugar para realizar a cura dos possuídos. Ela disse que não, que havia esquecido, mas os dois sabiam que o ‘esquecimento’ era proposital. Era mais provável que ela tivesse construído um abatedouro do que um lugar de cura.
“Se não construiu não há problema, eu os receberei na minha casa então.”
Em sinal de respeito, a Baronesa presenteou o padre com uma máquina ajudante, que ele só aceitou depois de muita relutância.
“Senhor padre, faça o favor de aceitá-lo, o senhor bem sabe é um tremendo desrespeito cometer a desfeita de rejeitar um presente.”
O ajudante foi instruído por sua Mestra a apresentar a casa ao padre, que levou alguns amigos e o bispo da região consigo. Desceram a escada atrás do altar, que levava à casa. Tudo tinha sido construído e organizado nos padrões mais modernos, o padre, que era um sujeito simples, não gostou da casa de primeira, desconfiava do estranho vaso de porcelana com água dentro, que ficava onde o ajudante disse ser o banheiro. Julgava que aquilo tinha intenções malignas.
Na verdade várias coisas na casa pareciam ‘erradas’, as velas nos candelabros nunca apagavam, a casa estava fresca demais para uma casa no subsolo e havia sempre uma brisa vinda de algum lugar. No final da visita, encontraram várias escotilhas bem discretas, por onde entravam ar e luz. A Baronesa podia não gostar do padre, mas queria que a casa fosse o mais funcional possível. Porém foi só depois de abençoar a casa mais de 15 vezes e finalmente descobrir como funcionava o vaso de porcelana que o padre se livrou de um certo ‘sentimento ruim’.
O ajudante era muito útil. Ele ajudava a preparar a missa, limpava a casa e a igreja, preparava comida e fazia companhia pro padre nas madrugadas. E apesar de achar estranho no começo, o padre foi, aos poucos, se acostumando com a natureza daquele ser flutuante com uma grande lâmpada amarela no meio do rosto. A máquina se auto denominava ‘Ajudante 2047’, tinha uma personalidade extrovertida e adorava falar. Isso incomodava a Baronesa que estava prestes a tirar-lhe o modulador de voz, quando teve a ideia de dá-lo ao padre. Nada poderia tê-lo deixado mais feliz! O padre era quieto e gostava de ouvir as pessoas, então tratava o ajudante com paciência, até quando ele falava demais, o que na opinião do padre não acontecia com tanta frequência, afinal a comunicação dele era estranhamente… eficaz. A maior parte das conversas eram sobre as pessoas. Apesar de nunca falar diretamente com elas, o Ajudante 2047 adorava ver seu comportamento estranho e ficava sempre ansioso para interagir, contudo toda vez que se aproximava de alguém a pessoa se afastava, às vezes com um olhar de repúdio, às vezes com um olhar de medo, mas na maior parte das vezes com uma mistura dos dois. No dia seguinte, o padre teria que encontrar e explicar para a pessoa que o ajudante não faria-lhe nenhum mal. Todavia mesmo com tantas explicações as pessoas ainda evitavam-no, então contentava-se em observá-las.
Agora que não precisava fazer todo trabalho da casa e igreja sozinho, o padre era mais visto do lado de fora, onde ajudava qualquer um que precisasse e não cobrava nada em troca, pedia apenas que comparecessem à missa. Vivendo assim, o padre e o Ajudante ajudaram-se mutuamente e logo isso virou a vida ‘normal’.
Com a reforma a igreja ficou mais famosa e a fila de possuídos cresceu, indo muitas vezes da sala da casa do padre até a entrada da igreja. Ao atender um enfermo, primeiro ele tinha de escutar suas confissões, em seguida concedia-lhes perdão e só depois fazia a oração de expurgo, para livrar-lhes. Alguns viam os sintomas da possessão desaparecem imediatamente, deixando cair qualquer escama, pêlo ou pedaço de pedra que, porventura, vieram a crescer; outros só melhoravam com o passar dos dias, mas seus sintomas iam embora sem deixar qualquer evidência. Os primeiros a serem atendidos eram aqueles que estavam em situação mais grave, ou seja, aqueles prestes a completar a transformação e perder o controle. Destes, alguns eram atendidos antes do final da missa, outros no lugar que estavam assim que fila se formava. Licantropia, glutanismo, petrificação, harpeismo e duplicismo eram os casos mais comuns, mas havia uma infinidade de outras possessões.
Um dia houve uma discussão sobre quem construiria a nova ponte sobre o rio, a Baronesa logo ofereceu suas máquinas, em troca, claro, de uma pequena contribuição da população. Já o povo queria que o marceneiro e o pedreiro fizessem a ponte. O padre, como sempre, tomou o lado do povo, pois sabia que se deixasse a construção nas mãos da Baronesa e suas máquinas o dinheiro jamais sairia dos cofres dela. Quando mandaram o impasse para o Governador, todos temiam que a Baronesa fosse ganhar, então o padre arquitetou um plano: avisou todos na aldeia, de modo que a Baronesa não ficasse sabendo, que seria feita uma missa importante no ‘dia depois do próximo dia de missa’. Durante essa missa ‘escondida’ eles arrecadariam os fundos para a ponte, que deveria ser construída antes que chegasse a ordem do governador. Assim, quando a Baronesa descesse de sua mansão no ‘dia de missa’ a ponte estaria pronta e o dinheiro continuaria entre o povo.
“Sei, senhor bispo, que este não é o plano mais honesto, mas o povo não aguenta mais entregar suas moedas à quem nunca às retorna.”
Confessou o padre, em lágrimas. O bispo apiedou-se do homem e respondeu-lhe que aquela devia ser a vontade de Deus, portanto não haveria castigo.
A Baronesa trabalhava em suas máquinas na varanda da mansão quando viu uma aglomeração na frente da igreja. Era normal que houvesse ‘missas depois do dia de missa’, Ela própria ia às vezes, o estranho era estar tão cheia. Pensou um tempo sobre o assunto, perguntou-se se havia esquecido alguma data especial, até que se lembrou da discussão e conjecturou que aquilo só poderia ser um plano do padre. Com pressa, desceu pela primeira vez o morro com suas roupas de trabalho, tomaria-a muito tempo colocar as roupas chiques, que costumava usar quando descia ao povoado. Andava rápido, porém o caminho era longo e ela só chegaria ao final da missa, mas talvez, a tempo de frustrar os planos do padre.
O padre que havia organizado a missa do lado de fora, exatamente para que pudesse ver o abrir e fechar do portão da mansão, acelerou a missa e conseguiu recolher o dinheiro antes que ela atravessasse o rio. Aflito, disse que não haveriam exorcismos públicos e que aqueles que necessitassem de ajuda deveriam procurá-lo em sua residência.
Neste dia havia um homem, que estava acompanhado de uma enorme criatura envolta num manto negro. O povo sabia que aquilo só podia ser um monstro em estágio final de transformação. A criatura era a esposa do homem e tinha sido possuída por um demônio glutão. Ao ouvir que deveria esperar ainda mais para ser curada, ela perdeu o controle, deixando-se levar pelos pensamentos sombrios que a atormentavam. Ficou furiosa, arrancou a capa que cobria o corpo e o rosto, e respondendo respondendo aos protestos do marido, que implorava para ela colocar o pano de volta , vociferou:
“Estou cansada! Estou com fome!”
O monstro era terrível, gordo, sem pelos ou cabelo, tinha horríveis bolas de pus amarelado, que se espalhavam como furúnculos por todo o corpo. Seu rosto era completamente deformado, a ausência de lábios fazia com que seus dentes e gengiva ficassem totalmente expostos. Porém a pior parte era a carne e pele que faltavam na lateral direita do torço, fazendo com que as costelas ficassem de fora e que fosse possível ver alguns dos órgão internos da criatura, mas o pedaço não parecia ter sido arrancado, não, pelo contrário, estava em formação. A carne borbulhava e parecia crescer muito lentamente, desejando cobrir as vísceras e formar o braço que faltava.
A criatura começou a andar em direção ao altar. As pessoas assistiam a cena paralisadas, em choque, horrorizadas. Ao dar o segundo passo, ela esbarrou no homem do casal à frente. O resultado fez com que o pânico tomasse conta do público, que finalmente disparou a correr em todas as direções. Primeiro, o homem ficou preso, depois seu corpo foi sendo pouco a pouco absorvido pela carne do monstro, e na medida que ia sendo ‘incorporado’ o lado direito do monstro enchia-se de carne, pele e bolhas de pus. A esposa do homem até fez um esforço para salvá-lo, mas ao ver a carne sendo derretida e sugada, vomitou e caiu para trás, para, em seguida, sair se arrastando de costas pro chão, incapaz de desgrudar o olhar do horror que acontecia em sua frente. Por sorte, o monstro a ignorou, seu olhar, faminto e furioso, dirigia-se para o padre, que preparava uma oração desde que este havia tirado o manto. Precisava do exorcismo pronto quando tocasse no monstro, do contrário seria absorvido.
Nesse momento a Baronesa já estava chegando e pode ver tudo com seus próprios olhos, furiosa, ela cerrou os punhos e começou a rezar. A criatura encarou o padre até que o corpo do homem fosse totalmente absorvido, aquela ‘refeição’ tinha sido o suficiente para formar um braço grotesco, mas não para preenchê-lo de carne, sobrara então por todo lado direito do monstro buracos, por onde se via os ossos e partes internas. Isso deu ao padre tempo para terminar o exorcismo. Semi-acabada, a criatura avançou correndo aos tropeções, como as criaturas infernais normalmente fazem, o padre só precisava tocar na criatura e fazer a segunda oração para a salvação das duas almas. O homem absorvido já estava morto, porém sua alma precisaria ser libertada e a possuída, exorcizada. Fazer isso em tão pouco tempo não seria tarefa fácil, mas tinha de tentar.
O monstro já estava perto. O padre sentia o cheiro podre, ouvia as passadas pesadas, os grunhidos inumanos, mas manteve os olhos fechados e o coração sem medo. Calculou a posição do monstro e no momento certo esticou o braço. Ouviu um grito, mas não sentiu o toque. Abriu os olhos. Sua mão estava a centímetros da criatura.
Algo estranho havia acontecido. A Baronesa tocava o monstro pelo lado, que congelado como uma estátua, tinha uma expressão de terror e tristeza nos olhos, um terror que só um possuído poderia sentir. O terror de ter seu corpo mudando a composição de carne, ossos e órgãos para cinzas, o que causava uma dor alucinante, o terror de ter sua alma sendo desmembrada, estraçalhada e destruída, o terror de saber que não vai nem para o céu ou para o inferno e sim para o vazio da inexistência, o terror de sentir tudo isso e não poder gritar.
Do lugar onde a Baronesa tocou, espalhou-se uma cor cinza por todo corpo do monstro, com uma textura que não lembrava pedra, mas, sim, pó acumulado. O padre teve tempo de ver o efeito tomando o corpo da criatura, que apesar dos pecados e da morte, possuía ainda um resquício de humanidade e tinha salvação. Também teve tempo de reparar em uma lágrima, que escorria do olho ainda não transformado em cinza da possuída. Quando foi finalmente inteira afetada pelo toque, ela se desfez e suas cinzas levadas pelo vento. A alma das duas pessoas, assim como a do demônio haviam sido completamente destruídas. O padre sabia que aquilo não era um exorcismo, era uma outra coisa, mais antiga, mais cruel, mais perigosa…
“Ela... ela lançou um sortilégio?”
Foi o que pensou, enquanto encarava a Baronesa, que estava pingando suor, cansada, ofegante, suja de terra e graxa. Ela olhou em seus olhos, mas não disse nada, apenas se virou voltando para a mansão.
Durante a noite, máquinas de limpeza desceram, para limpar o que sobrou das cinzas.
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2020.01.20 17:31 Gab8786 A PIOR SOGRA DO MUNDO. Me livrei, mas doeu.

Considerações:
Primeiro: eu juro que isso não é fanfic. Eu vivi isso, acredite ou não.
Segundo: primeiro post que envio para o turma-feira, ah que emoção. Recentemente seus turma-feira's têm sido meu melhor passatempo, gratidão imensa por fazer meus dias melhores.
Terceiro: Minha vida amorosa é uma tragédia (não a nível de Shakespeare, mas é quase), te contarei apenas um dos casos. Se você gostar, quem sabe eu te conte mais outros...
Provavelmente você terá que fazer um vídeo inteiro sobre isso. Vamos lá.
(Os números e nomes aqui estão trocados. Não mostre isso no vídeo, ok editor?)
Aconteceu em 2014.
Conheci Micaela, a namorada com quem eu casaria se existissem condições. A gente combinava em tudo. Em todas as conversas tínhamos uma harmonia ímpar, gostávamos de estar juntos em todos os momentos, não tínhamos divergência de pensamentos políticos ideológicos (eu nem ligava pra isso na época), ela gostava de muitas coisas que eu gostava, se esforçava pra gostar de outras e eu fazia assim com ela também. Era muito bom estar junto dela.
Eu andava 3 km a pé pra ver ela e valia muito a pena(não existia Uber na minha cidade ainda, mas mesmo que existisse eu iria a pé pq eu n tinha grana, e ela gostava de mim mesmo assim, o que prova a veracidade dos sentimentos dela).
Ela frequentava minha casa algumas vezes, meus pais amaram ela, fez amizade com meus irmãos mais novos, ela jogava videogame comigo. Era um sonho.
Só havia um problema. Dona Gertrudes, a mãe dela. Ah, Dona GERTRUDES... Como posso te explicar, Luba... Imagina uma mulher religiosa ferrenha com uma moral do século 18. Eu não sabia disso até então. Pelo visto nem Micaela sabia que a mãe poderia chegar a um nível tão ABSURDO no final da história. Micaela apenas dizia que não podíamos subir pro quarto dela porque a casa estava bagunçada devido a uma reforma, e a mãe queria me conhecer primeiro (com o tempo), ou que ao menos eu assumisse namoro antes que eu pudesse frequentar lá em cima. Tudo bem? Tudo bem. Não sou acostumado com cerimônias, mas tudo bem.
Isso fazia com que tivéssemos que transar dentro do banheiro do prédio dela(Sim, nos primeiros dias já estávamos apaixonados a esse nível). Tinha uma câmera em frente à porta, mas a gente ligava o foda-se e entrava mesmo assim.
Aí você se pergunta: porque não na minha casa, no meu quarto? Bom, eu dividia meu quarto com meus irmãos. Nosso AP. Era pequeno, apenas 2 quartos. Seria constrangedor, muito embora, algumas vezes considerarmos essa possibilidade mantendo meus irmãos fora, mas era difícil.
Alem disso, dona GERTRUDES não deixava Micaela vir pra casa de um amigo sem mais nem menos. Ela não deixava eu entrar na casa dela, porque ela deixaria a filha entrar na casa dos outros?(Lógica dela). Então as vezes, quase nunca, ela ia escondido pra minha casa. Portanto, o banheiro, quase sempre, era nossa única opção (lembrando, eu não tinha grana pra Uber, imagina pra motel).
Chegou o momento que a gente se cansou disso (3 semanas depois) e resolvemos assumir logo esse namoro. Dona GERTRUDES quis marcar um jantar para perguntar quais as minhas intenções com a filha dela. SIM, não era o pai que queria perguntar isso, afinal ela era....... MÃE SOLTEIRA. SIIIIIIIIM, LUBA, MÃE SOLTEIRAAAAAAAAAA. Pegou raiva né? Saiba que não é nada perto do que vc vai sentir.
Então o dia do jantar chegou. A mãe veio com a famigerada pergunta e eu armei um discurso todo fofinho... "Eu quero amar e respeitar sua filha, quero conhecê-la a fundo, saber dos seus desejos e sonhos de vida, quero aprender com ela e ensinar tbm" pra que que eu disse "quero aprender com ela"? Ela já deu sua primeira patada: "Espera um pouco... Aprender com ela? Minha filha não é professora de ninguém não!"
Eu comecei a dar risada achando que era zueira, mas eu via cada vez mais que não. Que ela estava falando sério mesmo.
"Que absurdo, num relacionamento ninguém ensina nada a ninguém não, tem que estar todo mundo maduro o suficiente sabendo das coisas da vida, e o homem é quem toma a frente e quem sabe mais das coisas, porque é o chefe da família! Se você assume essa postura você é um bunda mole, e eu não quero minha filha casada com um bunda mole. CASADA, sim porque você sabe que um namoro é um preparativo para um casamento. ALIÁS, sexo, nananinanão. Só depois do casamento. Entendeu, senhor Matheus? Aliás... Quantos anos você tem mesmo?"
"19..."
"Pois é. Você que é mais jovem não deveria casar com uma pessoa 6 anos mais velha que você. (Sim, ela tinha 25 anos) Ela tem que se casar com um cara mais velho, com condições de formar uma família. Você trabalha? Você tem uma casa própria? Não. Então eu não acho que você deveria namorar minha filha, mas eu não vou estragar isso no dia da inauguração desse namoro né? Eu abençoo vocês mas com a condição de que você deve assumir essa responsabilidade."
E eu: "Tudo bem."
Sim, Luba eu deveria ter terminado alí, mas eu gostava tanto de Micaela, e eu achava aquilo ridículo demais para ser verdade, além disso eu não sou um cara de se jogar fora, eu não ia deixar que ela me considerasse um cara qualquer, eu fazia faculdade de Medicina na Federal, tinha educação de moral elevada de berço, iria provar meu valor, mas foi muita falta de amor próprio da minha parte. "Deve ser só pressão" eu pensava... Aham... Vai achando!
Os meses foram passando, e eu ainda não podia entrar no convívio da casa de Micaela, e ela ficava cada vez mais ausente, e me dizia por whatsapp que a mãe estava vigiando ela, não deixou mais ela sair de casa por um tempo, até que, quando chegou no sétimo mês, ela me revelou que Dona GERTRUDES não quer mais que ela se encontrasse comigo. E eu "WTF???"
Eu comecei a xingar a mãe dela dizendo ainda "como ela pode controlar tanto assim a filha de VINTE E CINCO ANOS? Micaela, você tem que tomar a independência para sua vida! Não deixe sua mãe te controlar assim! É muita imbecilidade da parte dela."
"Matheus eu ainda não me formei, não tenho condições de construir uma vida sozinha, e apesar de tudo ela é minha mãe, e eu não quero viver brigada com ela!"
"E eu, tudo bem... Como que a gente faz então? Se encontra escondido?"
"Parece ser a única opção né."
Assim fizemos por algumas vezes até o dia que eu fui para o prédio dela escondido. Ela estava fazendo um projeto da faculdade sozinha. Dona GERTRRRRRUUUDES viu pela câmera do prédio e desceu.......................
Eu nunca fui tão humilhado na minha vida.
"O QUE VOCE ESTA FAZENDO AQUI? Eu já não falei pra você não ver mais a minha filha? Você é um imprestável, você não é suficiente para minha filha, você é um qualquer e minha filha merece muito mais. Você é jovem e vai viver muita coisa ainda, vai conhecer muita gente e se relacionar. E se um dia trair minha filha? O que eu faço? Não importa a idade dela ela sempre será minha filha e se você for a causa do sofrimento dela eu n sei o que eu faço com você. Eu sei porque eu vivi isso. Ok? Além disso, você acha que eu não vi vocês dois pela câmera quando entravam no banheiro? Eu vi você falando mal de mim pelo whatsapp da minha filha, alem das fotos dela pelada! Eu fiquei tão chocada com isso que eu não permito mais vocês dois juntos, vagabundo. Saia daqui, vai para sua casa, eu já falei com o condomínio para não permitir mais sua entrada aqui. Não fale mais com minha filha. Está avisado.".
Enquanto isso Micaela morria de chorar pedindo para a mãe não fazer isso e ela estava irredutível. Não me permitiu falar nada. As duas subiram. E eu andei 3km de volta pra minha casa com o coração destruído. Achando que tudo tinha terminado.
Cinco dias depois me liga Micaela dizendo que disse a mãe que ia na casa da amiga Jéssica que morava perto de mim algumas quadras, mas estava vindo para minha casa para conversar comigo, dizendo que não iria desistir de mim.
Conversamos, e daqui a pouco DONA GERTRUDES liga para Micaela dizendo que estava na rua de Jéssica para buscar ela, porque ela havia esquecido de resolver algumas contas da casa no banco e ela queria a ajuda da filha. Depois ela deixava de novo lá na casa da amiga.
Micaela entrou em desespero. Saiu correndo daqui. Chegando no portão da minha casa estava lá a Dona GERTRUDEEEEEEEEES. Ela tinha ativado GPS no celular da filha e sabia de tudo.
Do carro ela falou aos berros e buzinas que chamaria a polícia e me acusar de sequestro se a filha não saísse e entrasse no carro. Eu tive que chamar meu pai que estava trabalhando porque eu não estava aguentando essa situação. Ele chegou e viu a situação insustentável. Falou com Micaela e levou até o portão. Meu pai não falou nada. Chegando em casa ele falou comigo o quão sortudo eu era por eu ter me livrado da convivência com esse ser desprezível como sogra.
Nunca mais vi Micaela.
Fiquei numa depressão profunda durante meses. Pensando no que me aconteceu.
Meu amor foi arrancado de mim sem dó nem piedade. Como se eu a agarrasse e tivessem cortado meus braços para que eu a soltasse.
Depois disso tive alguns namoros que também não passaram dos 7 meses. Hoje estou solteiro. Sem ninguém para eu dizer "te amo". Ao menos não de uma maneira tão sincera quanto eu dizia a Micaela.
Fim.
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2019.08.28 12:52 Alfre-douh A velha

Em casa de Dora, a foto com o marido que estava na cómoda da entrada acabara de ser colocada para cima. As suas caras jovens e de felicidade cândida, em trajes de casamento, fitavam agora a porta de entrada. Tornara-se um hábito, sempre que Dora estava sozinha em casa a moldura era virada para baixo e sempre que alguém lhe tocava à porta ou saia ela compunha ligeiramente o napperon rendado que lhe servia de base e virava-a para cima. Num ciclo com cada vez mais olhares vazios e cada vez menos felicidade cândida.
Hoje, Dora fazia 75 anos, algo que preferia não acontecesse. O tempo ia-lhe erodindo toda a sua construção deixando-lhe pouco mais que esqueletos de memória. O frio a cada ano se tornava mais intenso e os ossos, já com pouco que os protegesse, mirravam, contorcendo-se em desconforto.
Vestira o seu vestido negro mais bonito, colocara o seu fio de ouro e soltara o cabelo grisalho e ondulado, que escovara demoradamente enquanto fixava o seu olhar baço com aquele que o espelho lhe devolvia.
Ao arranjar-se calculara do seu dia o que podia. Não gostava de surpresas. Odiava-as visceralmente. Odiava a ideia de ter de dissimular alegria espontânea ou singela compreensão, embora com o tempo se tenha tornado excelente nisso. Calcular tinha-a ajudado, ó Deus, todo o seu decaimento tinha-a tornado refinada nessa arte. A dor omnipresente tornara-a gradualmente uma mulher sagaz, ao contrário do que acontece às outras. As outras queixam-se, choram-lhe encima, contam-lhe segredos, revelam-lhe toda uma vida. Ela sorri-lhes, consola-as, percebe-as, profere-lhes frases de esperança e sabedoria oca. Vê-las a perder a dignidade, sentir o desdém que todos os lamentos lhe provocam, à sua maneira, traz-lhe conforto. Ela gosta dessa dose pontual de desespero alheio pois subliminarmente isso valida a equação que resolveu há uns anos: a vida é uma história sem moral. Encostara o ouvido à porta de entrada do seu 1º esquerdo. Naquele prédio, desprovido de elevador, os passos nos degraus de moleanos causavam um ritmo muito distinto que ela auscultava até que ele parasse em estrondo com o bater da porta da rua. Não que lhe fizesse especial diferença, era apenas um hábito. Da mesma forma que calculara grande parte da vida a dimensão dos pontos nos mais diversos tecidos, calculava sempre que podia o que acontecia à sua volta.
Ao sair, trancou a porta com grau de força que os ossos lhe permitiam. O impacto da porta com a aduela ouviu-se pelo prédio, parecendo-lhe criar uma pequena agitação algures, dando-lhe a sensação de que não estava sozinha. O som devolvido em eco parecia não ser aquele a que este lugar comum lhe habituara. Enquanto a chave fazia o canhão da fechadura mover-se olhava para dentro, atenta a uma memória do passado, uma memória guardada num lugar estranho tornado comum. Endireitou o pescoço, e de pálpebras fechadas, encheu o peito de ar e exalou silenciosamente. Ao abri-los novamente teria a certeza que a memória já estaria longe.
Foi então que ao descer o primeiro lanço de escadas se deparou com ela, a surpresa.
"Olá dona Dora! Como está?!" - num segundo muito improvisado, tentou calcular a presença dela ali. A vizinha de cima, a jovem com beleza de flor primaveril (que ela admirava em inveja), agraciava-a com o banal cumprimento cândido e jovial. Esta era, contudo, uma daquelas alturas em que a audição era claramente contrariada pela imagem. Ao olhá-la, vira naqueles olhos castanhos escuros algo de negro. Tinha claramente estado a chorar, ali, sozinha. E o motivo para o choro era verdadeiro, denso e derradeiro. Sabe há muito que só está ao alcance de poucos conseguir que o som descole da imagem fria e árida que atormenta a alma. Preparou-se.
"Olá Sofia! Vou andando minha filha... vou andando!" - disse esquivando-se e, curiosa com aquele olhar, perguntou-lhe num tom apaziguador cujo alcance conhecia bem - "Que fazes tu aqui sentada? Está tudo bem? Passa-se alguma coisa, minha flor?" Ela respondeu soltando uma gargalhada nervosa e voltando a si "...nada que não se resolva..." - aplicando agora um riso composto, em que o som e a imagem mantinham a distância coerente, acrescentando com um laivo sombrio - "...embora eu ainda não saiba como, mas pronto!" "Minha filha, há sempre uma solução... por vezes o nosso coração atrapalha, outras vezes é a nossa cabecinha... mas o que não falta para aí são soluções" – Dora resolveu-se a tentar adivinhar ali uma crise conjugal. "Se fosse assim tão simples…" - disse-lhe Sofia, desviando o olhar - "...não tenho bem a certeza de que enfeitar aquilo que me assola resolva alguma coisa..." - movendo suavemente a cabeça e devolvendo um olhar de afirmação numa cara sorridente - "...é bem capaz de deixar tudo pior". “Desculpe, perdi-me aqui um bocadinho… talvez não seja uma desculpa decente, mas isto é defeito e feitio ao mesmo tempo” refere Sofia, em tristeza e percebendo em si uma ingratidão. “Vejo-te nervosa minha filha…quando estamos nervosas não dizemos o que queremos… É o nervosismo a falar! E quando é ele a falar a razão deixa de ouvir”
“Sim, tem razão! Estou nervosa e tenho de me acalmar…” “…não há nada que não se resolva minha filha! Todos temos dias, períodos maus, e nessas alturas queremos muito que venha até nós uma solução. Deus! Nessas alturas imaginamos tudo, pensamos em tudo e no fundo não adiantamos nada.” Cadenciando o tom, de forma a tatear a verdade antes de a ouvir, acrescentou: “Eu não sei o que se passa contigo … Mas sei que se deixas o nervoso falar muito ele vai-te consumir. Tu és inteligente, não precisas de conselhos de uma velha, tu já sabes bem aquilo que te estou a contar…” acaba enviando um sorriso empático. “Dona Dora, obrigado, do coração, obrigado! Mas a minha situação é mesmo muito complicada…Não é como se me saísse a rifa na quermesse do bairro e subitamente tudo ficasse bem…” Dora ri-se, sabe que quando a vida escurece o humor fica paradoxalmente melhor “Desculpa rir-me minha filha! Lembras-me quando tinha a tua idade e todos problemas pareciam os Caretos do entrudo…Não o são! Aliás todos os problemas têm as suas virtudes mascaradas, nós é que temos de ser corajosas … enfrentá-los e a máscara acaba por cair. Porque já não há razão para ela existir, percebes? “Eu… eu nem sei o que é um careto, nem um entrudo, e neste momento ver virtudes nos meus problemas? Não me parece…” "Mas olha que elas estão lá." "Explique-me então onde está a virtude em ter crescido com um pai bêbado e frustrado com tendência para a violência.... E melhor, como se isso só por si não fosse já matéria para traumas,… Explique-me onde está ela quando vejo a pessoa de quem gosto, e que por acaso me salvou dessa situação. A pessoa que me deu a mão e que amo, estar a desistir da relação...que no fundo é a única coisa que tenho." Raiva, desalento e uma fixação que lhe condiciona a sua verdadeira liberdade é o que Dora vê. Pensando para si que Sofia tem de perceber o básico sobre a condição humana: o amor é a jarra de flores numa casa a cair. Sendo que neste caso, vê com clareza que, mesmo com as rachas aumentarem, as flores são demasiado importantes para Sofia. “Quando eu o vejo, vezes e vezes, a começar a rejeitar-me, a chegar tarde a casa...merda! a não querer estar comigo. Onde é que eu vou ver a virtude? Desculpe Dona Dora, mas não há virtude aqui, e eu sei que a senhora com toda a certeza terá a sua história e quer ajudar-me mas... mas é impossível!” “Uma coisa eu sei… eu não vivo sem ele e não vou estar a abdicar de parte de mim. Quero-o no nosso mundo, um mundo onde aquilo que é ruim murcha depressa, o mundo onde ele é tudo para mim e eu sou… tudo para ele” Sofia começa a revelar toda a sua instabilidade. Instabilidade que Dora, como mulher, conhece bem. O que Sofia parece não saber é aquilo que Dora se resolve a ensinar: uma mulher deve existir tendo as suas emoções como ferramentas e não ser uma ferramenta das suas emoções. “Minha filha… em tempos também eu tive alguém. E esse alguém era tudo para mim, e a vida era realmente bonita ao lado dele” – Dora olha para luz descendente da caixa de escadas do prédio. “Contudo as pessoas mudam, e a mudança traz muitas vezes dor…e se há dor e nos faz mal então o que interessa é o momento, de que valem as memórias?”
Sofia escutava atentamente, enquanto Dora falava com calma de voz decidida e contundente. “Um dia, esse meu amor, disse-me: que tinha tido com duma outra mulher um filho que nunca conhecera e que pretendia deixar-lhe o que tinha em testamento…” “Bem vês que o medo da justiça divina só se sente quando se está perto da morte…E até lhe concedo isso…Contudo, em ironia, ele acabou por morrer precisamente no dia em que se iria encontrar com o advogado para tratar do testamento”. “Sofia minha filha…” Dora passa as mãos pelo pedra dos degraus “ Caiu precisamente nestas escadas e morreu…” “Não é suposto o amor matar-nos… se fosse ele não estava morto” “Como assim, Dona Dora??” pergunta agora Sofia, para alguém que não está ali. “…Desculpa minha filha, não me estou a sentir muito bem. Ia sair, mas acho que vou voltar para casa e deitar-me” “Quer ajuda?” “Não minha filha, nesta vida ajuda quem pode…e tu tens as tuas coisas para resolver”
Dora, encontra-se desarmada, esteve muito perto de confessar. Nunca tinha estado tão perto. Não percebia se era solidão ou empatia ou mesmo identificação com Sofia. Rodou o canhão da fechadura e entrou, desejando novamente “tudo de bom” a Sofia antes de fechar a porta.
Já em casa, ajusta levemente o napperon, pega na foto de casamento, e diz para si baixinho: “aquele empurrão serviu-nos aos dois…não é, meu amor?”
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2019.07.18 19:18 altovaliriano O Clube das Senhoras Mortas

Link: https://bit.ly/2JFSJ6B
Autor: Lauren (autodescrita como "dona de pre-gameofthrones e asoiafuniversity")

“Senhoras morrem ao dar à luz. Ninguém canta canções sobre elas.”
O Clube das Senhoras Mortas é um termo que eu inventei por volta de 2012 para descrever o Panteão de personagens femininas subdesenvolvidas em ASOIAF a partir da geração anterior ao início da história.
É um termo que carrega críticas inerentes a ASOIAF, que esta postagem irá abordar, em um ensaio dividido em nove partes. A primeira, segunda e a terceira parte deste ensaio definem o termo em detalhes. As seções subsequentes examinam como essas mulheres foram descritas e por que este aspecto de ASOIAF merece críticas, explorando a permeabilidade da trope das mães mortas na ficção, o uso excessivo de violência sexual ao descrever estas mulheres e as diferenças da representação do sacrifício masculino versus o sacrifício feminino na narrativa de GRRM.
Para concluir, eu afirmo que a maneira como estas mulheres foram descritas mina a tese de GRRM, e ASOIAF – uma série que eu considero como sendo uma das maiores obras de fantasia moderna – fica mais pobre por causa disso.
*~*~*~*~
PARTE I: O QUE É O CLUBE DAS SENHORAS MORTAS [the Dead Ladies Club]?
Abaixo está uma lista das mulheres que eu pessoalmente incluo no Clube das Senhoras Mortas [ou simplesmente CSM]. Esta lista é flexível, mas é geralmente sobre quem as pessoas estão falando quando falam sobre o CSM [DLC, no original]:
  1. Lyanna Stark
  2. Elia Martell
  3. Ashara Dayne
  4. Rhaella Targaryen
  5. Joanna Lannister
  6. Cassana Estermont
  7. Tysha
  8. Lyarra Stark
  9. A Princesa Sem Nome de Dorne (mãe de Doran, Elia, e Oberyn)
  10. Mãe sem Nome de Brienne
  11. Minisa Whent-Tully
  12. Bethany Ryswell-Bolton
  13. EDIT – A Esposa do Moleiro - GRRM nunca deu nome a ela, porém ela foi estuprada por Roose Bolton e deu à luz a Ramsay
  14. Eu posso estar esquecendo alguém.
A maioria do CSM é composta de mães, mortas antes de a série começar. Deliberadamente, eu uso a palavra "panteão" quando estou descrevendo o CSM, porque, como os deuses da mitologia antiga, estas mulheres normalmente exercem grande influência ao longo da vida de nossos atuais POVs e sua deificação é em grande parte o problema. As mulheres do CSM tendem a ser fortemente romantizadas ou fortemente vilanizadas pelo texto; ou em um pedestal ou de joelhos, para parafrasear Margaret Attwood. As mulheres do CSM são descritas por GRRM como pouco mais do que fantasias masculinas e tropes batidos, definidas quase que exclusivamente por sua beleza e magnetismo (ou falta disso). Elas não têm qualquer voz própria. Muitas vezes elas sequer têm nome. Elas são frequentemente vítimas de violência sexual. Elas são apresentadas com pouca ou nenhuma escolha em suas histórias, algo que eu considero como sendo um lapso particularmente notório quando GRRM diz que são nossas escolhas que nos definem.
O espaço da narrativa que é dado a sua humanidade e sua interioridade (sua vida interior, seus pensamentos e sentimentos, à sua existência como indivíduos) é mínimo ou inexistente, que é uma grande vergonha em uma série que foi feita para celebrar a nossa humanidade comum. Como posso ter fé na tese de ASOIAF, que as vidas das pessoas "tem significado, não sua morte", quando GRRM criou um círculo de mulheres cujo principal, se não único propósito, era morrer?
Eu restringi o Clube das Senhoras Mortas às mulheres de até duas gerações atrás porque a Senhora em questão deve ter alguma conexão imediata com um personagem POV ou um personagem de segundo escalão. Essas mulheres tendem a ser de importância imediata para um personagem POV (mães, avós, etc.), ou no máximo elas estão a um personagem de distância de um personagem POV na história principal (AGOT - ADWD +).
Exemplo #1: Dany (POV) – > Rhaella Targaryen
Exemplo #2: Davos (POV) – > Stannis – > Cassana Estermont
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PARTE II: "E AGORA, DIGA O NOME DELA."
Lyanna Stark, "linda e voluntariosa, e morta antes do tempo". Sabemos pouco sobre Lyanna além de quantos homens a desejaram. Uma figura tipo Helena de Troia, um continente inteiro de homens lutou e morreu porque "Rhaegar amou sua Senhora Lyanna". Ele a amava o suficiente para trancá-la em uma torre, onde ela deu à luz e morreu. Mas quem era ela? Como ela se sentiu sobre qualquer um desses eventos? O que ela queria? Quais eram suas esperanças, seus sonhos? Sobre isto, GRRM permanece em silêncio.
Elia Martell, "gentil e inteligente, com um coração manso e uma sagacidade doce." Apresentada na narrativa como uma mãe e uma irmã morta, uma esposa deficiente que não poderia dar à luz a mais filhos, ela é definida unicamente por suas relações com vários homens, com nenhuma história própria além de seu estupro e assassinato.
Ashara Dayne, a donzela na torre, a mãe de uma filha natimorta, a bela suicida, não temos quaisquer detalhes de sua personalidade, somente que ela foi desejada por Barristan o Ousado e Brandon ou Ned Stark (ou talvez ambos).
Rhaella Targaryen, Rainha dos Sete Reinos por mais de 20 anos. Sabemos que Aerys abusou e estuprou para conceber Daenerys. Sabemos que ela sofreu muitos abortos. Mas o que sabemos sobre ela? O que ela achou do desejo de Aerys de fazer florescer os desertos dorneses? O que ela passou fazendo durante 20 anos quando não estava sendo abusada? Como ela se sentiu quando Aerys mudou a corte de Rochedo Casterly por quase um ano? Não temos respostas para qualquer uma dessas perguntas. Yandel escreveu todo um livro de história de ASOIAF fornecendo muitas informações sobre as personalidades e peculiaridades e medos e desejos de homens como Aerys e Tywin e Rhaegar, então eu conheço quem são esses homens de uma forma que não conheço as mulheres no cânone. Não acho que seja razoável que GRRM deixe a humanidade de Rhaella praticamente em branco quando ele teve todo O Mundo de Gelo e Fogo para detalhar sobre personagens anteriores a saga, e ele poderia facilmente ter escrito uma pequena nota lateral sobre a Rainha Rhaella. Temos uma porção de diários e cartas e coisas sobre os pensamentos e sentimentos de rainhas medievais do mundo real, então por que Yandel (e GRRM) não nos informaram um pouco mais sobre a última rainha Targaryen nos Sete Reinos? Por que nós não temos uma ilustração de Rhaella em TWOIAF?
Joanna Lannister, desejada por ambos um Rei e um Mão do Rei e feita sofrer por isso, ela morreu dando à luz Tyrion. Sabemos do "amor que havia entre" Tywin e Joanna, mas detalhes sobre ela são raros e distantes. Em relação a muitas destas mulheres, as escassas linhas no texto sobre elas deixam frequentemente o leitor a perguntar, "bem, o que exatamente isso que dizer?". O que exatamente significa que Lyanna fosse voluntariosa? O que exatamente significa que Rhaella fosse consciente de seu dever? Joanna não é exceção, com a provocativa (ainda que frustrantemente vaga) observação de GRRM de que Joanna "governava" Tywin em casa. Joanna é meramente um esboço grosseiro no texto, como um reflexo obscuro.
Cassana Estermont. Honestamente eu tentei recordar uma citação sobre Cassana e percebi que não houve qualquer uma. Ela é um amor afogado, a esposa morta, a mãe morta, e não sabemos de mais nada.
Tysha, uma adolescente que foi salva de estupradores, apenas para sofrer estupro coletivo por ordem de Tywin Lannister. O paradeiro dela tornou-se algo como um talismã para Tyrion em ADWD, como se encontrá-la fosse libertá-lo da longa e negra sombra de seu pai morto, mas fora a violência sexual que ela sofreu, não sabemos mais nada sobre essa garota humilde exceto que ela amava um menino considerado pela sociedade westerosi como indigno de ser amado.
Quanto a Lyarra, Minisa, Bethany e as demais, sabemos pouco mais que seus nomes, suas gravidezes e suas mortes, e de algumas não temos sequer nomes.
Eu por vezes incluo Lynesse Hightower e Alannys Greyjoy como membras honorárias, apesar de que, obviamente, elas não estejam mortas.
Eu disse acima que as mulheres do CSM ou são postas em um pedestal ou colocadas de joelhos. Lynesse Hightower se encaixa em ambos os casos: foi-nos apresentada por Jorah como uma história de amor saída direto das canções, e vilanizada como a mulher que deixou Jorah para ser uma concubina em Lys. Nas palavras de Jorah, ele odeia Lynesse, quase tanto quanto a ama. A história de Lynesse é definida por uma porção de tropes batidas; ela é a “Stunningly Beautiful” “Uptown Girl” / “Rich Bitch” “Distracted by the Luxury” até ela perceber que Jorah é “Unable to support a wife”. (Todos estes são explicados no tv tropes se você quiser ler mais.) Lynesse é basicamente uma encarnação da trope gold digger sem qualquer profundidade, sem qualquer subversão, sem aprofundar muito em Lynesse como pessoa. Mesmo que ela ainda esteja viva, mesmo que muitas pessoas ainda vivas conheçam-na e sejam capazes de nos dizer sobre ela como pessoa, elas não o fazem.
Alannys Greyjoy eu inclui pessoalmente no Clube das Senhoras Mortas porque sua personagem se resume a uma “Mother’s Madness” com pouco mais sobre ela, mesmo que, novamente, não esteja morta.
Quando eu incluo Lynesse e Alannys, cada região nos Sete Reinos de GRRM fica com pelo menos uma do CSM. Foi uma coisa que se sobressaiu para mim quando eu estava lendo pela primeira vez – quão distribuídas estão as mães mortas e mulheres descartadas de GRRM, não é só em uma Casa, está em todos os lugares da obra de GRRM.
E quando digo "em toda a obra do GRRM," eu quero dizer em todos os lugares. Mães mortas em segundo plano (normalmente no parto) antes de a história começar é um trope que GRRM usa ao longo de sua carreira, em Sonho Febril, Dreamsongs e Armageddon Rag e em seus roteiros para TV. Demonstra falta de imaginação e preguiça, para dizer o mínimo.
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PARTE III: QUEM NÃO SÃO ELAS?
Mulheres históricas e mortas há muito tempo, como Visenya Targaryen, não estão incluídas no Clube das Senhoras Mortas. Por que, você pergunta?
Se você for até o americano comum na rua, provavelmente será capaz de lhe dizer algo sobre a mãe, a avó, a tia ou alguma outra mulher em suas vidas que seja importante para eles, e você pode ter uma ideia sobre quem eram essas mulheres como pessoas. Mas o americano médio provavelmente não poderá contar muito sobre Martha Washington, que viveu séculos atrás. (Se você não é americano, substitua “Martha Washington” pelo nome da mãe de uma figura política importante que viveu há 300 anos. Sou americana, então este é o exemplo que estou usando. Além disso, eu já posso ouvir os nerds da história protestando - sente-se, você está nitidamente acima da média.).
Da mesma forma, o westerosi médio deve (misoginia à parte) geralmente ser capaz de lhe dizer algo sobre as mulheres importantes em suas vidas. Na história da vida de nosso mundo, reis, senhores e outros nobres compartilharam ou preservaram informações sobre suas esposas, mães, irmãs e outras mulheres, apesar de terem vivido em sociedades medievais extremamente misóginas.
Então, não estou falando “Ah, meus deus, uma mulher morreu, fiquem revoltados”. Não é isso.
Eu geralmente limito o CSM às mulheres que morreram recentemente na história westerosi e que tiveram suas humanidades negadas de uma maneira que seus contemporâneos do sexo masculino não tiveram.
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PARTE IV: POR QUE ISSO IMPORTA?
O Clube da Senhoras Mortas é formado por mulheres de até duas gerações passadas, sobre as quais devemos saber mais, mas não sabemos. Nós sabemos pouco mais além de que elas tiveram filhos e morreram. Eu não conheço essas mulheres, exceto através do fandom transformativo. Eu conheci muito sobre os personagens masculinos pré-série no texto, mas cânone não me dá quase nada sobre essas mulheres.
Para copiar de outra postagem minha sobre essa questão, é como se as Senhoras Mortas existissem na narrativa do GRRM apenas para serem abusadas, estupradas, parir e morrer para mais tarde terem seus semblantes imutáveis moldados em pedra e serem colocadas em pedestais para serem idealizadas. As mulheres do Clube das Senhoras Mortas não têm a mesma caracterização e evolução dos personagens masculinos pré-série.
Pense em Jaime, que, embora não seja um personagem pré-série, é um ótimo exemplo de como o GRRM pode usar a caracterização para brincar com seus leitores. Começamos vendo Jaime como um babaca que empurra crianças de janelas (e não me entenda mal, ele ainda é um babaca que empurra crianças para fora das janelas), mas ele também é muito mais do que isso. Nossa percepção como leitores muda e entendemos que Jaime é bastante complexo, multicamadas e cinza.
Quanto a personagens masculinos mortos pré-série, GRRM ainda consegue fazer coisas interessantes com suas histórias, e transmitir seus desejos, e brincar com as percepções dos leitores. Rhaegar é um excelente exemplo. Os leitores vão da versão de Robert da história, de que Rhaegar era um supervilão sádico, à ideia de que o que quer que tenha acontecido entre Rhaegar e Lyanna não foi tão simples como Robert acreditava, e alguns fãs progrediam ainda mais para essa ideia de que Rhaegar era fortemente motivado por profecias.
Mas nós não temos esse tipo de desenvolvimento de personagens com as Senhoras Mortas. Por exemplo, Elia existe na narrativa para ser estuprada e morrer, e para motivar os desejos de Doran por justiça e vingança, um símbolo da causa dornesa, um lembrete da narrativa de que são os inocentes que mais sofrem no jogo dos tronos. . Mas nós não sabemos quem ela era como pessoa. Nós não sabemos o que ela queria na vida, como ela se sentia, com o que ela sonhava.
Nós não temos caracterização do CSM, nós não temos mudanças na percepção, mal conseguimos qualquer coisa quando se trata dessas mulheres. GRRM não escreve personagens femininas pré-série da mesma maneira que ele escreve personagens masculinos pré-série. Essas mulheres não recebem espaço na narrativa da mesma forma que seus contemporâneos masculinos.
Pensa na Princesa Sem Nome de Dorne, mãe de Doran, Elia e Oberyn. Ela era a única governante feminina de um reino enquanto a geração Rebelião de Robert estava surgindo, e ela também é a única líder de uma grande Casa durante esse período cujo nome não temos.
O Norte? Governado por Rickard Stark. As Terras Fluviais? Governadas por Hoster Tully. As Ilhas de Ferro? Governadas por Quellon Greyjoy. O Vale? Governado por Jon Arryn. As Terras Ocidentais? Governadas por Tywin Lannister. As Terras da Tempestade? Steffon, e depois Robert Baratheon. A Campina? Mace Tyrell. Mas e Dorne? Apenas uma mulher sem nome, ops, quem diabos liga, quem liga, por se importar com um nome, quem precisa de um, não é como se nomes importassem em ASOIAF, né? *sarcasmo*
Não nos deram o nome dela nem em O Mundo de Gelo e Fogo, ainda que a Princesa Sem Nome tenha sido mencionada lá. E essa falta de um nome é muito limitante - é tão difícil discutir a política de um governante e avaliar suas decisões quando o governante nem sequer tem um nome.
Para falar mais sobre o anonimato das mulheres... Tysha não conseguiu um nome até o A Fúria dos Reis. Apesar de terem sido mencionadas nos apêndices do livro 1, nem Joanna nem Rhaella foram nomeadas dentro da história até o A Tormenta de Espadas. A mãe de Ned Stark não tinha um nome até surgir a árvore genealógica no apêndice da TWOIAF. E quando a Princesa Sem Nome de Dorne conseguirá um nome? Quando?
Quando penso nisso, não posso deixar de pensar nesta citação: "Ela odiava o anonimato das mulheres nas histórias, como se elas vivessem e morressem só para que os homens pudessem ter sacadas metafísicas." Muitas vezes essas mulheres existem para promover os personagens masculinos, de uma forma que não se aplica a homens como Rhaegar ou Aerys.
Eu não acho que GRRM esteja deixando de fora ou atrasando esses nomes de propósito. Eu não acho que GRRM está fazendo nada disso deliberadamente. O Clube das Mulheres Mortas, em minha opinião, é o resultado da indiferença, não de maldade.
Mas esses tipos de descuidos, como a princesa de Dorne, que não têm nome, são, em minha opinião, indicativos de uma tendência muito maior - GRRM recusa dar espaço a essas mulheres mortas na narrativa, ao mesmo tempo em que proporciona espaço significativo aos personagens masculinos mortos ou anteriores à série. Esta questão, em minha opinião, é importante para a teoria espacial feminista - ou as maneiras pelas quais as mulheres habitam ou ocupam o espaço (ou são impedidas de fazê-lo). Algumas acadêmicas feministas argumentam que mesmo os “lugares” ou “espaços” conceituais (como uma narrativa ou uma história) influenciam o poder político, a cultura e a experiência social das pessoas. Essa discussão provavelmente está além do escopo desta postagem, mas basicamente argumenta-se que as mulheres e meninas são socializadas para ocupar menos espaço do que os homens em seus arredores. Assim, quando o GRRM recusa o espaço narrativo para as mulheres pré-série de uma forma que ele não faz para os homens pré-série, sinto que ele está jogando a favor de tropes misóginas ao invés de subvertê-las.
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PARTE V: A MORTE DA MÃE
Dado que muitas dos CSM (embora não todas) eram mães, e que muitas morreram no parto, eu quero examinar este fenômeno com mais detalhes, e discutir o que significa para o Clube das Senhoras Mortas.
A cultura popular tende a priorizar a paternidade, marginalizando a maternidade. (Veja a longa história de mães mortas ou ausentes da Disney, storytelling que é meramente uma continuação de uma tradição de conto de fadas muito mais antiga da “aniquilação simbólica” da figura materna.) As plateias são socializadas para ver as mães como “dispensáveis”, enquanto pais são “insubstituíveis”:
Isto é alcançado não apenas removendo a mãe da narrativa e minando sua atividade materna, mas também mostrando obsessivamente sua morte, repetidas vezes. […] A morte da mãe é invocada repetidamente como uma necessidade romântica [...] assim parece ser um reflexo na cultura visual popular matar a mãe. [x]
Para mim, a existência do Clube das Senhoras Mortas está perpetuando a tendência de desvalorizar a maternidade, e ao contrário de tantas outras coisas sobre o ASOIAF, não é original, não é subversivo e não é boa escrita.
Pense em Lyarra Stark. Nas próprias palavras de GRRM, quando perguntado sobre quem era a mãe de Ned Stark e como ela morreu, ele nos diz laconicamente: “Senhora Stark. Ela morreu”. Não sabemos nada sobre Lyarra Stark, além de que ela se casou com seu primo Rickard, deu à luz quatro filhos e morreu durante ou após o nascimento de Benjen. É outro exemplo de indiferença casual e desconsideração do GRRM para com essas mulheres, e isso é muito decepcionante vindo de um autor que é, em diversos aspectos, tão incrível. Se GRRM pode imaginar um mundo tão rico e variado como Westeros, por que é tão comum que quando se trata de parentes femininos de seus personagens, tudo o que GRRM pode imaginar é que eles sofrem e morrem?
Agora, você pode estar dizendo, “morrer no parto é apenas algo que acontece com as mulheres, então qual é o grande problema?”. Claro, as mulheres morriam no parto na Idade Média em percentuais alarmantes. Suponhamos que a medicina westerosi se aproxime da medicina medieval - mesmo se fizermos essa suposição, a taxa em que essas mulheres estão morrendo no parto em Westeros é excessivamente alta em comparação com a verdadeira Idade Média, estatisticamente falando. Mas aqui vai a rasteira: a medicina de Westerosi não é medieval. A medicina de Westerosi é melhor do que a medicina medieval. Parafraseando meu amigo @alamutjones, Westeros tem uma medicina melhor do que a medieval, mas pior do que os resultados medievais quando se trata de mulheres. GRRM está colocando interferindo na balança aqui. E isso demonstra preguiça.
Morte no parto é, por definição, um óbito muito pertencente a um gênero. E é assim que GRRM define essas mulheres - elas deram à luz e elas morreram, e nada mais sobre elas é importante para ele. ("Senhora Stark. Ela morreu.") Claro, há algumas pequenas minúcias que podemos reunir sobre essas mulheres se apertarmos os olhos. Lyanna foi chamada de voluntariosa, e ela teve algum tipo de relacionamento com Rhaegar Targaryen que o júri ainda está na expectativa de conhecer, mas seu consentimento foi duvidoso na melhor das hipóteses. Joanna estava felizmente casada, e ela foi desejada por Aerys Targaryen, e ela pode ou não ter sido estuprada. Rhaella foi definitivamente estuprada para conceber Daenerys, que ela morreu dando à luz.
Por que essas mulheres têm um tratamento de gênero? Por que tantas mães morreram no parto em ASOIAF? Os pais não tendem a ter mortes motivadas por seu gênero em Westeros, então por que a causa da morte não é mais variada para as mulheres?
E por que tantas mulheres em ASOIAF são definidas por sua ausência, como buracos negros, como um espaço negativo na narrativa?
O mesmo não pode ser dito de tantos pais em ASOIAF. Considere Cersei, Jaime e Tyrion, mas cujo pai é uma figura divina em suas vidas, tanto antes como depois de sua morte. Mesmo morto, Tywin ainda governa a vida de seus filhos.
É a relação entre pai e filho (Randyll Tarly, Selwyn Tarth, Rickard Stark, Hoster Tully, etc.) que GRR dá tanto peso em relação ao relacionamento da mãe, com notáveis exceções encontradas em Catelyn Stark e Cersei Lannister. (Embora com Cersei, acho que poderia ser arguir que GRRM não está subvertendo nada - ele está jogando no lado negro da maternidade, e a ideia de que as mães prejudicam seus filhos com sua presença - que é basicamente o outro lado da trope da mãe morta - mas esta postagem já está com um tamanho absurdo e eu não vou entrar nisso aqui.)
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PARTE VI: O CSM E VIOLÊNCIA SEXUAL
Apesar de suas alegações de verossimilhança histórica, GRRM fez Westeros mais misógino do que a verdadeira Idade Média. Tendo em conta que detalhes sobre violência sexual são as principais informações que temos sobre o CSM, por que é necessária tanta violência sexual?
Eu discuto esta questão em profundidade na minha tag #rape culture in Westeros, mas acho que merece ser tocado aqui, pelo menos brevemente.
Garotas como Tysha são definidas pela violência sexual pela qual passaram. Sabemos sobre o estupro coletivo de Tysha no livro 1, mas sequer aprendemos seu nome até o livro 2. Muitas do CSM são vítimas de violência sexual, com pouca ou nenhuma atenção dada a como essa violência as afetou pessoalmente. Mais atenção é dada a como a violência sexual afetou os homens em suas vidas. Com cada novo assédio sexual que Joanna sofreu em razão de Aerys, sabemos que por meio de O Mundo de Gelo e Fogo que Tywin rachou um pouco mais, mas como Joanna se sentiu? Sabemos que Rhaella havia sido abusada a ponto de parecer que uma fera a atacara, e sabemos que Jaime se sentia extremamente conflituoso por causa de seus juramentos da Guarda Real, mas como Rhaella se sentia quando seu agressor era seu irmão-marido? Sabemos mais sobre o abuso que essas mulheres sofreram do que sobre as próprias mulheres. A narrativa objetifica, ao invés de humanizar, o CSM.
Por que os personagens messiânicos de GRRM têm que ser concebidos por meio de estupro? A figura materna sendo estuprada e sacrificada em prol do messias/herói é uma trope de fantasia velha e batida, e GRRM faz isso não uma vez, mas duas (ou possivelmente três) vezes. Sério, GRRM? Sério? GRRM não precisa depender de mães estupradas e mortas como parte de sua história trágica pré-fabricada. GRRM pode fazer melhor que isso, e ele deveria. (Mais debates na minha tag #gender in ASOIAF.)
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PARTE VII: SACRIFÍCIO MASCULINO, SACRIFÍCIO FEMININO E ESCOLHA
Agora, você pode estar se perguntando: "É normal que os personagens masculinos se sacrifiquem, então por que as mulheres não podem se sacrificar em prol do messias? O sacrifício feminino não é subversivo?”
Sacrifício masculino e sacrifício feminino muitas vezes não são os mesmos na cultura popular. Para resumir - os homens se sacrificam, enquanto as mulheres são sacrificadas.
As mulheres que morrem no parto para dar à luz o messias não são a mesma coisa que os personagens masculinos fazendo uma última grande investida com armas em punho para dar ao Herói Messiânico a chance de Fazer A Coisa. Os personagens masculinos que se vão com armas fumegantes em mãos escolhem esse destino; é o resultado final da sua caracterização fazer isso. Pense em Syrio Forel. Ele escolhe se sacrificar para salvar um dos nossos protagonistas.
Mas mulheres como Lyanna, Rhaella e Joanna não tiveram uma escolha, não tiveram nenhum grande momento de vitória existencial que fosse a ápice de seus personagens; eles apenas morreram. Elas sangraram, elas adoeceram, elas foram assassinados - elas-apenas-morreram. Não havia grande escolha para se sacrificar em favor de salvar o mundo, não havia opção de recusar o sacrifício, não havia escolha alguma.
E isso é fundamental. É isso que está no coração de todas as histórias do GRRM: escolha. Como eu disse aqui,
“Escolha […]. Esta é a diferença entre bem e mal, você sabe disso. Agora parece que sou eu que tenho que fazer uma escolha” (Sonho Febril). Nas palavras do próprio GRRM, “Isso é algo que se vê bem em meus livros: Eu acredito em grandes personagens. Todos nós somente capazes de fazer grandes coisas, e de fazer coisas ruins. Nós temos os anjos e os demônios dentro de nós, e nossas vidas são uma sucessão de escolhas.” São as escolhas que machucam, as escolhas em que o bom e o mal são sopesados – essas são as escolhas em que “o coração humano [está] em conflito consigo mesmo”, o que GRRM considera “a única coisa que vale a pena escrever sobre”.
Homens como Aerys, Rhaegar e Tywin fazem escolhas em ASOIAF; mulheres como Rhaella não têm nenhuma escolha na narrativa.
GRRM acha que não vale a pena escrever sobre as histórias do Clube das Senhoras Mortas? Não houve nenhum momento na mente do GRRM em que Rhaella, Elia ou Ashara se sentiram em conflito em seus corações, em nenhum momento eles sentiram suas lealdades divididas? Como Lynesse se sentiu escolhendo concubinato? E sobre Tysha, que amou um garoto Lannister, mas sofreu estupro coletivo nas mãos da Casa Lannister? Como ela se sentiu?
Seria muito diferente se soubéssemos sobre as escolhas que Lyanna, Rhaella e Elia fizeram. (O Fandom frequentemente especula sobre se, por exemplo, Lyanna escolheu ir com Rhaegar, mas o texto permanece em silêncio sobre este assunto mesmo em A Dança dos Dragões. GRRM permanece em silêncio sobre as escolhas dessas mulheres.)
Seria diferente se o GRRM explorasse seus corações em conflito, mas não ficamos sabendo de nada sobre isso. Seria subversivo se essas mulheres escolhessem ativamente se sacrificar, mas não o fizeram.
Dany provavelmente está sendo criada como uma mulher que ativamente escolhe se sacrificar para salvar o mundo, e acho isso subversivo, um esforço valoroso e louvável da parte da GRRM lidar com essa dicotomia entre o sacrifício masculino e o sacrifício feminino. Mas eu não acho que isso compensa todas essas mulheres mortas sacrificadas no parto sem escolha.
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PARTE VIII: CONCLUSÕES
Espero que este post sirva como uma definição funcional do Clube das Senhoras Mortas, um termo que, pelo menos para mim, carrega muitas críticas ao modo como a GRRM lida com essas personagens femininas. O termo engloba a falta de voz dessas mulheres, o abuso excessivo e fortemente ligado ao gênero que sofreram e sua falta de caracterização e arbítrio.
GRRM chama seus personagens de seus filhos. Eu me sinto como essas mulheres mortas - as mães, as esposas, as irmãs - eu sinto como se essas mulheres fossem crianças natimortas de GRRM, sem nada a não ser um nome em uma certidão de nascimento, e muito potencial perdido, e um buraco onde já houve um coração na história de outra pessoa. Desde os meus primeiros dias no tumblr, eu queria dar voz a essas mulheres sem voz. Muitas vezes elas foram esquecidas, e eu não queria que elas fossem.
Porque se elas fossem esquecidas - se tudo o que havia para elas era morrer - como eu poderia acreditar em ASOIAF?
Como posso acreditar que “a vida dos homens tem significado, não sua morte” se GRRM criou este grupo de mulheres meramente para ser sacrificado? Sacrificado por profecia, ou pela dor de outra pessoa, ou simplesmente pela tragédia em tudo isso?
Como posso acreditar em todas as coisas que a ASOIAF representa? Eu sei que GRRM faz um ótimo trabalho com Sansa, Arya e Dany e todos os outros POVs femininos, e eu o admiro por isso.
Mas quando a ASOIAF pergunta, “o que é a vida de um garoto bastardo perante um reino?” Qual é o valor de uma vida, quando comparada a tanta coisa? E Davos responde, suavemente, “Tudo”… Quando ASOIAF diz que… quando a ASOIAF diz que uma vida vale tudo, como as pessoas podem me dizer que essas mulheres não importam?
Como posso acreditar em ASOIAF como uma celebração à humanidade, quando a GRRM desumaniza e objetifica essas mulheres?
O tratamento dessas mulheres enfraquece a tese central da ASOIAF, e não precisava ser assim. GRRM é melhor do que isso. Ele pode fazer melhor.
Eu quero estar errada sobre tudo isso. Eu quero que GRRM nos conte em Os Ventos do Inverno tudo sobre as escolhas de Lyanna, e eu quero aprender o nome da Princesa Sem Nome, e eu quero saber que três mulheres não foram estupradas para cumprir uma profecia da GRRM. Eu quero que GRRM sopre vida dentro delas, porque eu o considero o melhor escritor de fantasia vivo.
Mas eu não sei se ele fará isso. O melhor que posso dizer é eu quero acreditar.
[...]
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2019.05.12 16:26 chickenchicken2468 [DQ] Ao redor do candelabro

12/05/2019. Tema: vida e morte

Ao redor do candelabro
Era uma noite de tempestade, mas isso não era um grande problema para quem vivia num apartamento no centro de São Paulo. Os trovões se confundiam com o barulho dos carros, a chuva caía forte, mas o décimo terceiro andar estava acima de qualquer enchente no Túnel Rebouças.
Ou quase.
Depois de um forte clarão lá fora, as luzes do bairro inteiro apagaram.
— Espera um pouco, gente! Já sei!
Fernanda abriu um armário e tirou de lá um candelabro de ferro, todo entalhado, com cinco velas. Acendeu e iluminou a Fer, a Ju e a Lari.
— Fer, por que você tem um candelabro em casa?
— Foi coisa da Bruna! Ela comprou pra mim quando a gente estava pra voltar de Nairobi.
— Nairobi?
— É, no Quênia. Foi naquela viagem de safari no ano retrasado.
— As fotos ficaram lindas! Eu curti todas no seu Instagram!
— Então, daí quando a gente estava indo do hotel pro aeroporto, já na volta, aconteceu que o ônibus estava demorando muito. Daí a Bruna começou a falar com essa senhora que estava vendendo um monte de coisas. A mulher começou a contar da filha dela que tinha morrido de doença quando era bem criança. É até difícil contar. Quando era ela mesma contando, dava até arrepio. Ela falava da criança correndo na vila que ela morava, com aquele inglês com sotaque pesado, e a Bruna sempre lá perguntando. Eu só estava querendo ouvir a história e olhar as coisinhas que ela tinha para comprar. Daí eu perguntei para a moça de onde tinha vindo o candelabro. — Fernanda pegou seu copo d`água e tomou um gole — Ela disse que tinha sido um presente da mãe dela, e que ela tinha usado para iluminar o velório da filha.
— Ah. — Ju tomou um gole de vinho. — que história triste.
— A Bruna perguntou pra ela como que tinha sido, e aí ela foi contando que no velório na vila dela cada um que chega conta uma história da pessoa que morreu. E aí é como se a memória dela vivesse para sempre, entende? Para eles, a morte não é o fim de tudo, é só o fim de um ciclo, mas a pessoa continua tendo mudado o mundo em que ela viveu.
— Por que ela estava vendendo isso?
— Parece que ela estava vendendo o que tinha. Pobreza extrema é foda, né? Acho que ela estava precisando voltar para a vila. Eu comprei o candelabro, e a Bruna ainda deixou uns duzentos dólares a mais com ela.
— Nossa. E falando nisso, cadê Bruna?
— Deve estar vindo. Ela já chegou na hora alguma vez na sua vida?
— Verdade, Fer! Nossa, me lembrei quando eu fui com a Bruna para o Rio de Janeiro. O vôo era sete horas da manhã, a gente chegou em Congonhas às seis e quinze. A gente passou no terminal quando o portão já estava quase fechando, e aí todo mundo no avião olhou torto pra gente.
— Ainda bem que vocês entraram, as fotos ficaram muito boas!
— Eu nem tenho Instagram!
— Mas a Bruna tem! Vi vários stories de vocês no cristo, na praia e também naquele lugar que o povo aplaude o Sol se pondo…
— O arrpoadorr! — disse Ju, com uma entonação de quando uma paulistana tenta falar com os erres da zona Sul do Rio.
— Isso!
— Olha, o Rio foi muito legal, mas o povo é muito mais relaxado. Aqui em São Paulo, quando você vai num restaurante, se a comida demora a gente quase baixa um processo. Lá no Rio não. Você pede uma caipirinha e pode ficar olhando o mar porque vai demorar. Mas o pessoal se vira bem. Acho que a gente de São Paulo podia passar mais tempo só olhando as ondas do mar, se aqui tivesse mar. Sei lá, a gente podia passar mais tempo assim…
— … contemplando?
— Contemplando! É, foi muito legal. Várias vezes lá no Rio eu a Bruna ficamos só olhando as praias, as pessoas, ouvindo os sons, sabe? Foi muito bom.
— Mas no Rio não é perigoso ficar parado na rua?
— É um pouco. Mas as ruas continuam cheias, então acho que eles não pensam nisso o tempo todo. Tem que se prevenir um pouco. A Bruna até trocou o nome da mãe dela no telefone de "mãe" para "Dona Marta" só para evitar sequestro relâmpago. Isso é complicado. Lá no Rio eles fazem isso como se fosse normal!
— Como que isso evita sequestro?
— O sequestrador não consegue saber para quem ligar e pedir o resgate.
— Mas e se acontecer alguma coisa? Como vão achar para quem ligar?
— Ah, sei lá! Vira essa boca pra lá, Fer!
— Acho que a Bruna é carioca!
— Ela parecia carioca mesmo, naqueles bailes funk que a gente foi!
— Ou então ela é porque ela é de peixes!
— Ela parecia estar bem feliz por lá.
— Todo mundo já viajou com a Bruna, menos eu!
— Ah, Lari, não fica assim! Vocês vão viajar juntas um dia!
— Mas eu já fui com ela em um buteco que vocês não foram!
— Como assim?
— Foi depois do velório da minha mãe. Vocês duas estavam no intercâmbio, mas a Bruna estava aqui.
— No intercâmbio? Então isso já faz uns cinco, seis anos?
— Sim. A Bruna ficou me ouvindo falar da minha mãe. Estava um dia tão bonito, todo ensolarado! Tinha chovido muito na noite anterior, e o cemitério era um campo todo cheio de árvores e flores. Daí a Bruna me abraçou enquanto eu chorava. Ela foi uma fofa, porque eu chorei acho que por umas duas horas. Ela me disse que as pessoas boas, quando morrem, viram pó de estrela e se espalham pelo universo. E aí, depois do enterro, ela me levou pro buteco, só porque era lá perto. A gente nem bebeu nada, mas eles faziam um suco de melão muito bom. A Bruna conhecia o dono. Ele é um velhinho muito simpático, o Seu Mário. Aí ele fez pra gente uma costela especial.
— Por que a Bruna conhecia o dono?
— Ela me disse que a Dona Marta tinha levado ela naquele buteco logo depois do enterro do pai dela. E Dona Marta conversa com todo mundo… acho que foi daí que a Bruna puxou essa simpatia toda! A minha mãe, antes do Alzheimer, era muito falante também. Mas aí ela foi esquecendo das palavras, dos rostos, daí das pessoas. No finalzinho, ela se esqueceu de mim. Quando ela morreu foi muito triste, mas foi um alívio também. Agora ela virou pó de estrela, e ela deve ter virado um pedacinho de um monte de árvores e flores por aí.
— Isso tem cara de frase da Bruna.
— Foi mesmo. Ela é muito sensível, né? Na verdade, ela também disse que cada um de nós é um pouco flor e um pouco árvore, mas eu achei isso meio brega e não quis falar.
— Meio brega, mas você está enxugando as lágrimas de pensar nisso.
— Ah, vá. — Lari passou o dedo perto do olho, enxugando as lágrimas tentando sem sucesso não borrar a maquiagem.
— Ela deve ter aprendido isso tudo com a Dona Marta. Nem imagino como deve ser ter que consolar a filha porque o pai morreu de doença.
— É, eu conheço ela desde criança! Sorte minha! A gente falava que ia ter filho juntas! — disse Fernanda.
— Uma com a outra?
— Não, Julianny! Cada um o seu próprio filho!
— Falando em filho, Dona Fernanda, estou vendo você aí só na água enquanto todo mundo está no vinho. É por isso que você chamou a gente aqui?
Fernanda ficou vermelha. Ensaiou que ia dizer alguma coisa, mas não respondeu. Larissa se adiantou:
— Só assim prá gente se encontrar!
— Pára gente. Eu queria falar disso só quando a Bruna chegasse!
O telefone da Ju tocou.
— É a Bruna! — atendeu, sorrindo, mas foi ficando séria — Oi! Oi? Ah. Sim. Julianny, com ípsilon e dois enes. Sim, isso. Sim… onde? Sério? Como? Ah, bem, obrigada…
Julianny desligou e se sentou, com os olhos cheios de lágrimas.
— Gente, a Bruna morreu.
— Como assim?
— Era do hospital. Me ligaram porque era o número que estava na agenda de telefone dela. A gente tem que buscar a Dona Marta… Fer, você dirige?
— Vamos.
... .... .... .....
No dia seguinte, o céu estava azul e sem nuvem nenhuma. O corpo da Bruna foi enterrado debaixo de uma salva de aplausos. Aos poucos, todo mundo foi embora. A família da Bruna se abraçou e voltou prá casa. Os amigos mais distantes saíram, um por um. Ficaram ali as três, olhando.
— E agora, o que a gente faz? — disse Julianny.
Fernanda, entristecida, pensou na própria gravidez:
— Acho que guardei essa surpresa por muito tempo. A Bruna ia ter ficado feliz de saber.
Larissa abraçou as outras duas, que começaram a chorar. Ficaram ali por algum tempo. Não marcaram a hora, mas foi tanto tempo quanto precisavam. Quando o choro ficou mais calmo, Larissa pegou a mão das amigas e disse:
— Ela está se espalhando pelo universo. Daqui a um tempo, ela vai ter virado um pedacinho das árvores e das flores. Mas nós ainda não. Venham. Sei de um lugar aqui perto que tem um suco de melão delicioso. Eu conheço o dono!
FIM.
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2019.01.18 00:36 lucius1309 A MORTE DE CARLOS REIS

Você vai ligar o botãozinho, o velho botãozinho novamente, o botãozinho do "Foda-se" e você acha isso sensacional, e algo totalmente plausível dentro dos recentes acontecimentos de sua vida um pouco bagunçada.
Não que eu recomende que você faça isso, mas eu te conheço há alguns anos e te disse que você seria assim pra sempre.
Pra sempre é muito tempo, eu sei disso também, mas a gente sabe que você não tem pressa nenhuma pra viver esse pra sempre. Pois de uns dez anos pra cá, tudo aconteceu rápido demais na sua vida, e todos os seus "sofrimentos" serviram de muletas pra essa par de merda que tu fez, destruindo a sua vida e das pessoas que estavam ao seu redor.
Porra Carlos, tu é foda, puta que te pariu!
Você nunca gostou de gente que xinga a tua mãe. Como naquela vez em que você tinha uns 8 anos de idade e um garotinho te chamou de filho da puta. Você quebrou um dente dele dando um soco direto. Sua mãe (que não era e não é puta), teve que ir pedir desculpas pra mãe do garotinho.
"Escuta dona Fulana, o Carlos não é assim, ele deve ter tido algum tipo de surto ou sei lá."
E após isso uma psicóloga te atendeu em duas sessões, você não abriu a boca em nenhuma das duas e acabou desistindo da porra toda.
Mas agora voltando pro presente que está melhor do que o passado e se tudo der certo, pior do que o futuro.
Seu estilinho de vida agora é todo certinho e elitizado, você anda na linha e é o dito "cidadão de bem", tudo está insanamente menos frenético e todos que te conheceram antes e te vêem agora inflam teu ego com elogios, o que só alimenta sua doença alcoólatra e te faz subir em cima de uma caixinha de fósforo achando que é poderoso o bastante por ser o cara que dá as ordens, e não as recebe mais.
Sendo que na essência, pra falar a verdade, você não passa do mesmo cara de antes, cheio de defeitos que você faz questão de esconder. Cheio de traumas que ainda são dolorosos o bastante pra ficarmos cutucando, não é? Raivas ainda não devidamente trabalhadas pela psicóloga linda que você paga 80 pratas a hora, duas vezes no mês, e que te fala tudo aquilo que você não quer ouvir. Mas que sabe que é verdade.
Hoje você esbanja, come o que quer e quando quer, vai pra onde quer quando lhe dá na telha, sem se preocupar com mais nada além de preencher um vazio deixado pela ausência dela, o amor da sua vida, a garrafa. Você talvez não esteja sabendo preencher esse vazio, já pensou nisso, Carlos Reis!? O homem de bem, ainda desorientado e confuso. Um mar de serenidade em situações de crise, apelidado inclusive como "Buda" por algumas pessoas pela frieza com que tem encarado os problemas. Mas ainda completamente fodido emocionalmente.
Eu só quero saber de uma coisa, se não for incomodar perguntar: onde está aquele Carlos Reis inconsequente, que colocava fogo nas coisas, que passava dias na rua fazendo besteiras, que chutava coisas e quebrava copos nos bares sujos, que brigava com estranhos e que dormia em calçadas, que andava sempre de chinelos e bermuda, sem pagar os impostos devidos, que não ia votar pois estava cheirado demais pra isso, que via o mundo girar mais rápido que os outros? Aquele que dizia que nunca ia aceitar as coisas como são, e que ia mudar o mundo com seus textos, e por isso, escrevia sem parar, avidamente madrugadas e madrugadas, textos de quinze a vinte páginas em menos de duas horas, bebendo 24/48, transando com mulheres que nunca mais veria, falando com amigos que não sabia nem o nome, se metendo em problemas todos os dias e se achando um grande gênio. Talvez, talvez, o mais novo escritor marginal, que iria revolucionar essa geração Nutella, formada principalmente de pessoas fracas demais pra assumirem seus medos e receios, focadas tanto nas telas dos celulares e tão pouco nos olhos daquela pessoa maravilhosa que mexe com essas pessoas. Não me surpreendo que sua covardia fez tu desistir de tudo isso de uma hora pra outra.
Nunca achei que você seria o bastante.
Afinal, você sempre foi tão pouco pra tudo. Sempre será. Sua intensidade é fraca demais. Sua vontade de vencer não é grande o bastante. Seus pais te criaram de uma maneira errada, e hoje você não os culpa, mas passou tantos anos os culpando, que agora está velho demais pra se arrepender por isso.
Talvez, só talvez, as pessoas estivessem sempre certas sobre você. Mesmo as mais críticas sempre souberam que você tem muita sede pra mudar muita coisa, mas acaba mantendo tudo do mesmo jeito. Seus comportamentos, seus modos de pensar e agir, sua respiração do dia a dia, suas idas caretas aos supermercados, suas camisetinhas de banda e seus jeans de marca, os tênis nike e o perfuminho da boticário, tudo isso tentando esconder o cara que tava até outra hora passando fome e pedindo moeda no farol.
Esse cara ainda tá aí, Carlos. Esse cara sempre vai estar, você vai ter que se olhar no espelho e ver ele. E aprender a viver com ele.
Seu passado e seu presente vão fazer o teu futuro.
Sem isso, você é apenas vazio. Um grande e belo vazio. Como aquele que você sempre sentiu, e ainda sente muitas vezes até hoje. Acordar cedo, lavar o rosto, tomar café e mudar o mundo não é tão simples quanto parece. E a pergunta que deixo é: será que é realmente isso que você quer pra sua vida? Mudar o mundo? Ou quer apenas sossego pra ir no mercado sem olhar os preços das coisas?
O que os caras que leem suas coisas há mais de 10 anos estão pensando? Que você afrouxou, de fato. O escritor durão das antigas que passava fome pra beber Corote está aos poucos morrendo. Você não terá mais muito material para os próximos cinco anos, se tiver sorte. Logo mais você vai ser mais um na multidão de muitos. O engomadinho indo na prefeitura pagar os impostos de uma empresa. O homem de negócios que faz reuniões pra ver quanto lucro terá no fim do mês.
A paz de espírito que talvez nunca fosse alcançada, mas que agora parece cada vez mais próxima.
Um homem realizado, cheio de realizações.
Logo mais uma namorada, que vai se tornar uma esposa e mais uns dois filhos. Casa própria e viagem pra Maresias aos fins de semana. Europa no meio do ano e churrasco com a sogra no Natal. Tal como todos os caras que você sempre repudiou. Tal como os sujeitos mais medianos que você já conheceu. Tal como um sonho e um repúdio que você jamais pensou em alcançar.
Tal como o óbito.
Onde Carlos Reis estará morto e enterrado, e surgirá um outro cara, uma nova pessoa, com novo nome, CPF e endereço fixo. Novas maneiras de pensar e completamente ordinário e mediano. Os olhos ávidos com vida, mas não tão inconsequentes. O rosto cheio de rugas depois de tantos sofrimentos e superações. Um exemplo pra alguns, um eterno bêbado pra outros. Tanto faz. Tanto fez sempre, mas agora, de verdade, tanto faz.
E esse texto será apagado e esquecido junto com vários outros. Não haverá memorial e nem homenagem. Tudo será então um grande vazio. O mesmo vazio que te fez começar com essa porra de escrita há 14 anos atrás. O mesmo vazio que vai te fazer se cansar dela (a escrita) e buscar novos hobbies.
E as frases ficarão jogadas em algum canto, pedindo por um sentido. E você, Carlos, não fará nada quanto a isso. Pois estará morto. E o novo homem que vai surgir não dá a mínima pra isso. Nem a mínima pra esse texto.
submitted by lucius1309 to desabafos [link] [comments]


2016.12.06 21:44 lakeyosemit2 Os comentários (e comentaristas) mais cima e baixovotados do /r/brasil

Edit: Dentre os últimos 57 mil. Farei dentre todos comentários de todos os tempos, mas vai demorar um pouco pra processar os dados.
Recentemente achei esse site com um arquivo de ~7 bilhões de comentários do reddit (37GB descompactados). Como os do /brasil podem ser de interesse geral por aqui e nem todo mundo tem o espaço em disco necessário, disponibilizo aqui (3.7 MB) os comentários do /brasil filtrados e já em formato CSV para quem quiser brincar (dá pra fazer word clouds, etc). Pretendo fazer o mesmo com as submissões hoje à noite, se alguém quiser o CSV final envie-me uma PM que forneço-o amanhã. Em tempo, aproveito para compartilhar convosco os melhores e piores comentários do /brasil, bem como os comentaristas com maior e menor karma acumulado nos últimos 57 mil comentários feitos ao sub (paging kupfernikel para atualizar a Estatueta Amácio Mazzaropi de Nióbio).
Os 20 comentários mais odiados:
Votos Autor Comentário
-64 Dinosaur_Supervisor Vamos combinar: videogame não é esporte.
-43 hivemind_disruptor Cientista politico aqui. Essa PEC não controla gastos. Ela força todos os presidentes nos próximos 20 anos a não investir em áreas especificas e poder investir no que Temer acha bom. Essa PEC é ruinzinha pacas no texto dela. Sem contar que esse tipo de limitação de gastos não é utilizada em nenhum país do mundo.
-41 [deleted] [removed]
-41 desinteria chora moro... tá começando a dar de cara com as merdas que fez... já não bastava o STF que não aguenta mais...
-40 scafutto20 Vindo de uma fonte tão imparcial cof cof como a globo, só me resta acreditar né kkkkkk #sqn
-39 [deleted] [removed]
-37 squidstuckthemorning Parece justo. Cada um que responda pelo que fez. Como já disse outras vezes, não quero que o Temer seja cassado. Deixa o infeliz lá até 2018 para o país voltar a normalidade logo. Edit: Isso, caprichem nos downvotes. Disse isso antes e sigo firme na minha opinião. Abraço
-35 [deleted] [deleted]
-33 [deleted] [deleted]
-32 juniordoce Enquanto o governo corta na saúde e na educação, nosso dinheiro banca o exército brasileiro fazendo trabalho de polícia no Haiti e no Congo. Parabéns para todos os envolvidos, principalmente para o Lula pela sua arrogância e megalomania.
-31 Nelson_Rubens Para os curiosos: http://www.laranjasnews.com/politica/saiba-qual-crime-marcelo-crivella-cometeu-foto-veja
-30 [deleted] [deleted]
-30 kCab00se A pergunta correta seria: e se na ditadura militar tivessem colocado na constituição como cláusula petrea a proibição de comunismo no Brasil. Aí eu respondo, não chegaríamos ao nível de corrupção e violência que temos atualmente e como bônus o PT nunca teria existido.
-30 subtosilencio que diferença faz a cor da miss? que materia racista!
-29 AqueleCaraChato Eu também gostei. Bring the downvotes, bois.
-29 gustavopmrq kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk só que não
-29 salamito claaaaaro claaaaro dai quando ele sair e o pais estiver PIOR, vai ser dito que foi porque 'não deu tempo' e que o 'estrago era muito grande' cara, é seeeempre a mesma história, e pra variar QUEM que está se fodendo hoje? o pobre
-28 parallel_life O PSOL sempre tendendo a direita como sempre. Se bobear ele vai perder a eleição e procurar uma vaguinha no governo do Crivella.
-27 Aymoreh Alguém poderia oferecer VERGONHA NA CARA pra esse pulha! Esse vagabundo não vale sequer os dejetos que produz!
-27 fallowtheright Até esse foi enganado pelos programas sociais ilusionistas brasileiro
Oa 20 comentários mais adorados:
Votos Autor Comentário
237 nerak33 A Mônica e o Cebolinha vivem o bullying como devia ser se o mundo fosse cor de rosa. Eles vivem o sofrimento humano só com as lágrimas, mas sem o rancor e a amargura que as injustiças deixam na gente. Mônica é a dona da rua. Cebolinha se acha mais esperto e quer ser ele o dono da rua - simbolicamente quer roubar o coelho dela, o Sansão. Assim como Dalila precisava tirar o cabelo do herói para tirar sua força, Cebolinha precisa roubar Sansão para tirar o poder simbólico, o cetro de Mônica. Mas seus planos sempre dão errado e ele apanha. Porque bate nos meninos, Mônica é a dona da rua. O ciclo se repete. Quem começou? Não dá pra saber. Isso distancia a 'violência' entre essas crianças de uma relação de bullying. É uma rivalidade em pé de igualdade. Mônica chora, mas também se defende. Cebolinha apanha, mas não perde o sarcasmo. Eles sofrem, mas não são derrotados. São como os clowns. A gente ama tanto a nossa humanidade que há neles, e é por sofrerem que são humanos. Mas eles sofrem sem rasgar e sem perderem a humanidade. São mais humanos, por não serem de carne. E são crianças. São capazes de serem ao mesmo tempo malvados e doces uns com os outros. Vão nas festas de aniversário uns dos outros e combatem vilões juntos. Ajudam a tirar ciscos do olho e consolam-se quando estão tristes. Acho que no céu é assim: as crianças ainda brigam, mas nunca se machucam e sempre se perdoam. Não é a toa que a Turma da Mônica funciona, mesmo com o traço simplório, a seqüência de quadros e fundos preguiçosos, etc. São histórias que tratam o leitor infantil com honestidade e também com carinho.
214 aiguilledumidi Estava subindo a rua do colégio em que voto e ouvi um pai falando pra filha, a menina devia ter uns 5 anos, 'FIlha, nunca vote nos candidatos desses panfletos, eles não se importam com a cidade, olha só quantos papéis no chão, eles só sujam a rua'
193 O_abysswalker Você foi visitado pelo caranguejo de brasília Diga 'COMO VOTA,DEPUTADO?' e você receberá paz e saúde depositados diretamente na suiça
191 g-c-a O nome técnico geológico é rocha para aglomerados de vários minerais. Prefere-se 'pedra' quando se fala de um único mineral (e.g. pedra preciosa). Claro que o autor desconhece esses detalhes. Para ele, provavelmente, o termo rocha deve ser meramente um rebuscamento para pedra. No entanto, somos obrigados a concluir que piroca é gostosa.
169 bhsn come a mulher dele e se ele reclamar come ele também, pronto.
169 lKauany O mais engraçado é que o PT tinha 1 (um) ((~UM~)) trabalho só, basicamente. A gente perdeu uma década (80) e fez sacrifícios e reformas dificílimas na outra década (90) para conseguir recuperar a capacidade do Estado de operar. Tudo que o PT tinha que fazer para manter a estabilidade macroeconômica era cumprir o tripé: Meta fiscal (superávit primário), meta de inflação e câmbio flutuante. O Lula conseguiu não foder tudo no primeiro mandato. Abriu mão de todas suas promessas de campanha PSOLentas, fez a carta ao povo brasileiro e seguiu a política econômica ortodoxa, chamou Henrique Meirelles (que era deputado ou candidato pelo PSDB) para o BC, chamou um monte de liberal-ortodoxo no primeiro mandato. Porra, eu tive esperanças. ELES CONSEGUIRAM FAZER O MÍNIMO. Manteram o tripé, a estabilidade econômica, que permitiu o crescimento, o controle do nível de preços, a intensificação de politica social. Tá acontecendo?! Aí no Governo Lula 2 as coisas começam a mudar. Vem Mantega, vem desenvolvimentismo, BNDES, desleixo com as metas do tripé. Na época eu falei tudo bem, a gente consegue sobreviver. Mas aí veio a Dilma, que fez a ANTÍTESE do tripé. Literalmente, a frase 'tacar o foda-se' tomou novas proporções. Meta de inflação? Vamos utilizar o Banco Central de cobaia para os nossos experimentos desenvolvimentistas e diminuir juros na marra, achando que as coisas funcionam dessa forma. O investimento não veio, a inflação estourou o teto da meta. - E quando a coisa deu errado? ->; Controle de preços. Sério, controle de preços administrados. É como se a gente não tivesse aprendido nada. Meta fiscal? Hahaha, quem precisa disso? Como vou manter superávit se preciso dar mais dinheiro para o Eike e para o Marcelo Odebrecht?! Não precisamos de reforma fiscal, tá tudo ótimo, aguentamos ficar no ritmo que estamos, deixa os servidores públicos, coitados. Pleno emprego, limites da expansão fiscal? Fizemos política anti-cíclica depois da crise, pq não podemos fazer eternamente?! - E quando a coisa deu errado ->; Pedaladas, fraude fiscal. Câmbio flutuante? Isso é coisa de neoliberal tucano. Vamos gastar bilhões em swaps controlando o câmbio. - Quando deu errado? ->; Continuaram fazendo. Resultado: Maior crise desde o crash da bolsa (1929-1933), por motivos puramente domésticos (ao contrário das propagandas, não existe crise internacional, nenhum economista corrobora com a tese), em um país que consegue a proeza de crescer só mais que a venezuela e a rússia (que está em guerra). Vocês entendem como é difícil fazer isso? Um país gigante, uma potência regional, em tempos de paz e ambiente externo favorável, entrar em uma depressão profunda só por conta de políticas econômicas erradas uma atrás da outra? É tipo assim, average stupid não consegue fazer isso. Precisa ser advanced stupid. Precisa ser um outro nível de estupidez, demagogia, arrogância e populismo para conseguir fazer o que fizeram. Não foi trabalho de amadores fazer o país voltar 30 anos no tempo. A Dilma tinha 1 trabalho. Era só fazer o feijão com arroz. Ao invés disso ela decidiu jogar uma bomba atômica em todas as instituições que mantinham esse país onde estava. Deu no que deu. Vamos precisar de mais 10 anos para corrigir as coisas, vamos chegar em 2020 com o nível de produto de 2009. E depois ficar falando 'é culpa do PT' é alienação.
161 Eitjr O Lula sempre falou: ah o sítio era de um amigo... Nada era meu, tudo do meu amigo... Pronto. Era do amigo mesmo....
155 mortadelabr >; Façam o mesmo, saiam da rotina com apenas uma cheirada! Ainda bem que tem o contexto.
139 LoreChano Quanta gente pessimista. Em 1980 o IDH do Brasil era pior que o da maioria dos países africanos hoje, mais da metade da população vivia em condições deploráveis, tinha gente literalmente morrendo de fome no sertão nordestino até um tempinho atrás. O fato de estarmos numa crise não anula o fato de que o Brasil foi um dos países que mais melhorou no mundo nos últimos 30 anos. Pelo jeito o pessoal deste sub acha que todo mundo em país desenvolvido vive que nem um imperador romano.
138 frahm9 * they kill kid * oh shit
136 maisumedu EDUARDO CUNHA PRESO HOJE.
134 karkar01 Eu entendo que podem existir contextos em que uma mãe ou um pai utilizem alguma agressividade na relação de educação dos filhos. Eu não entendo filmar. A parte do tornar público dessa forma, pra mim, não tem nuance, não tem contexto, é errado demais. É um tipo de humilhação pública que dilata qualquer punição a um nível incontrolável. E nenhuma punição deve ser incontrolável. No entanto, essa história do câncer é toda falsa. Procure, e a internet lhe dirá que a menina estava sendo punida por outro motivo, que nada tem a ver com ofender outras pessoas.
131 geraldo_Rivia AMIGO PRESO AMANHÃ.
130 DrHelminto >;Protestos pró humm.. >;e contra sei... >; Trump normal.. >;têm briga e detidos que coisa >; na Paulista O Q?! Pra que?!
129 smartassnick Saiam da frente com seus direitos que nós estamos passando com a nossa democracia
127 missurunha Olha o nível que chegamos, querem que a moça se foda por causa da posição ideológica dela. Isso me faz lembrar do caso no Paraná que os juizes processaram os jornalistas que publicaram os salários deles.
125 rubemll Tá aqui a tal: http://divulgacandcontas.tse.jus.bdivulga/#/candidato/2016/2/23043/170000008392 Curiosamente vários candidatos do partido tem 1 (uma) doação de R$ 750. De CPFs diferentes, claro. Exemplos: http://divulgacandcontas.tse.jus.bdivulga/#/candidato/2016/2/23043/170000008399 e http://divulgacandcontas.tse.jus.bdivulga/#/candidato/2016/2/23043/170000008397 e http://divulgacandcontas.tse.jus.bdivulga/#/candidato/2016/2/23043/170000008400 Ou a senhorinha errou na hora de preencher a tal doação, ou realmente alguém foi doar R$ 750 mas colocou alguns zeros a mais e misteriosamente a conta tinha fundos... (Mas quando tem '13' no meio é impossível não pensar no '13 e confirma') ___________________________________________ Edit: O final do CPF do doador é 844-36, e a doação é de 75 milhões, 844 reais e 36 centavos. Então o idiota que foi fazer a doação pelo laranja quis escrever R$ 750 (Como os outros candidatos) mas fez merda e colocou mais zeros que devia, com o final do CPF do laranja. Fácil descobrir essa. 750,00 tab 844-36, virou 75.000.844,36. Ainda que tenha gasto só R$ 750, que merda de resultado, 13 votos por R$ 750.
125 wajyi Melhorei pra você
123 pontoumporcento Por esse e outros motivos que eu acho que o voto deveria ser facultativo, assim essas pessoas ficam em casa sem ter que se preocupar em escolher o candidato que foram mais com a cara.
121 Perca_fluviatilis Especialmente a criança com câncer.
xam na gente
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2014.04.29 04:29 tugaforce Portugal, mesmo assim ainda temos...

O Sol quentinho na face, as serras, as lezirias, as montanhas, as praias, as videiras, as Palmeiras, a comida e as mulheres que nos o metem no sitio! Elá país mai lindo à face da terra para crescer! De verdade!
Já não vou ao padre à algum tempo e como quero deitar cá para fora como a marioneta do anuncio da TMN, pera é MEO, pera é é tudo do mesmo gajo Portugal Telecom!
Estive a ler este Post Devo dizer que este tipo de amigos governates é o ideal, para fazer isto! E se eu vos disser que os grandes têm empresas para fazer isto a uma escala global? Secalhar a entidade que protege os meus interesses tambem tem umas minhoquices alguma info recolhida de documentos OFICIAIS
"PORQUÊ, pai? pergunta o miudo de 2 anos quando o mendigo que lhe pede a fatia de pão que comia? O Pai responde ao filho: É o instinto, sobreviver!" Eu digo CAPITALISM no seu melhor!
Nós tugas damos desculpas e muitas vezes nem perguntamos com o medo de saber. Devíamos pensar um pouquinho antes. Ui, o meu vizinho trafica droga e vende armas! Vou à policia ainda arranjo problemas porque ele tem lá um amiguinho. Chatinho não? Justiça é mesmo FIXXXEE, quanto mais dúbio for o crime melhor para ti! E se trouxer mais amigos melhor para te safares! Se fores ganancioso não dá! (Casa Pia e menina Madie)
Isto está na nossa cultura, na descoberta não oficial do Brasil pelo Tuga! (informação privilegiada é sempre igual a poder, até em tribunal) Pois claro então nós somos os melhores em falcatruas Mundiais! Não podíamos deixar de funcionar dessa forma, assim de um dia para o outro!
Na Alemanhã vendem submarinos e vão dentro! Aqui ainda dão entrevistas e não menos importante beijinhos às nossas senhoras! Adorável! Seja submarinos, softwares, presidentes que fogem sempre depois dos mandatos acabarem. A Senhora OFFSHORE da Madeira, adorei ler este artigo. INFO Ministros que antes de acabarem os mandados tornam as empresas em privadas para depois pertencerem aos concelhos de administração, e encaixar mais uns troquitos para os amigos. No final de contas se vou mudar de director quero um gajo que já conheça!
PS ou PSD ou CDS ou até esquerdinos ou verdinhos ou pelos cães, gatos e cobras! Ao menos podiam mudar mais vezes entre eles. Aparências meus caros vivam os nossos Audis! Mas ficamos mal servidos até os cidadãos de MALTA tem massa! INFO Mas os Tugas merecem mais: Audis são maquinas potentes importadas da alemanhã, para que uns amigos da SIVA fazem umas massas extra. Com amigos destes nos negócios nem eu dizia que não!
Isso não são Políticos, são todos amigos... arranjam meia dúzia de papagaios (os ursinhos dos mandatários das autarquias) que acreditam que isto é um pais de igualdades e metem-nos no fundo da cadeia alimentar! Até se comem atrás das cenouritas. É lindo de ver! Mesmo de génio chamar burro a um povo que dá o couro todos os dias a trabalhar.
Poder é dinheiro todos sabemos disso! Eu quero isso, não sou hipócrita! Mas quero poder de decisão para mim pois isso representa alternativas para a minha vida! Não penso muito na sociedade Portuguesa pois formatou-me automaticamente para ser assim eguista. Só eu! Tu vales lixo!
Clubes que amor à camisola, mais tenho eu quando jogo com a minha malta! INFO
Lembrem-se do Beira Mar com os Arabes. Do meu antigo Benfica que teve sempre ilustres até o actual com as suas super empresas imobiliárias. O embriagado era bebado coitadito! O caso do Vale Azevedo é que deve ter sido uma trancadita mal dada, mas mesmo assim tem conseguido viajar o coitado!
O FCP é o Porto, tudo tem receio é o clube português que melhor resultados financeiros tem só a maquina que trabalha naquela cidade à noite! Lindíssimo! O SCP vai pelo mesmo caminho, não tenho muitas dividas, o modelo de negócio é semelhante ao do Porto! Fantástico!
Com clubes iguais a autenticas religiões até a igreja já vende os feriados e os padres já não ficam muito tempo no mesmo sitio. Mais massa!
Já agora uma pequena referência histórica para saber de onde vem a inspiração destas ilustres pessoas idóneas: Artur Virgílio Alves dos Reis Maria Branca dos Santos
Só digo estejais tão enganadinho Zézinho Povinho! (Agora é aquela parte que todos dizem que sou um conas (anónimo), mas baixinho... porque sabem que tem de ser assim! Gostavam era que fosse diferente!)
E são pessoas informadas, claro o sistema mostra todos os dias os Grandes senhores de fato à saída do tribunal a dar a sua entrevista. (imagino o cheirinho a naftalina!) Mas quando são pobretana que roubam cêntimos as perguntas ficam no estúdio onde se pratica o ACHISMO! (O director do Grupo liga ao director e diz-lhe que não quer pobretanas na televisão, não precisamos de um grupo de seguidores como nos EUA, pá! Director do jornal: Claro Exmo CEO esqueci-me que o canal é só para os seus amigos!)
Quando se zangam trocam de grupos e levam as equipas, para fazer de conta que agora é que vai ser feito bom jornalismo. (Porque agora tem amigos novos, ou pelo menos para os próximos anitos) E o Povo gosta disso dá ideia de renovação! Já parece a TMN.
Veja-se então desta forma: futebol, novelas e as canalha da casa dos segredos! Comentadores ilustres na RTP, as tardes da Júlia ou da Teresa quais são as melhores? Isso é que o meu povo gosta! Uma boa coxita nunca doeu a ninguém a mesma coisa com a fofoca da vida alheia!
Mas continuo a ter orgulho de ser Português! É que podíamos todos andar de trombas mas não andamos só a fingir! Fácil!
Se estamos todos contentes e alegres com a sociedade que temos, força com isto!
Somos franquismos nos valores morais que temos e continuamos com uma sociedade que apesar de ter poder de escolha está completamente cega pela comunicação social!
Os "cravitos" do 25 foi uma celebração de expressão, mas a maquina continua a mesma, atrevo-me a dizer melhor! "Muito Like"
Não espero ter tanta exposição mediática como o presidente da Republica no seu Facebook. Até porque nem é ele que escreve (muitos assessores). UPS, então... até podia ser o presidente a escrever isto... é Fantástico estas coisas das tecnologias!
Mas se já vos pus a comentar ou a pensar nesta reduzidissima informação.
Bom trabalhito, e não se esqueçam de baixar a cabeça e virar o rabino para o ar no final do mês (aconselho levar tapete) quando virem o recibozinho! Mais uma vez cortado!
Mas pelo menos temos... uns dias até morrer continuemos cada um para seu lado, porque isto vai melhorar! De certeza!!!
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